O que foi que o deputado estadual Guilherme Almeida (PSB) fez contra o governador José Maranhão para sofrer humilhação semelhante a que ele está vivendo hoje? É de sentir vergonha de sair de casa. Anunciado como Secretário Estadual de Interiorização do Governo, Guilherme Almeida serviu de fantoche no teatro político de Maranhão e acabou ficando com o papel de palhaço no lugar do papel principal.

 

No início do drama, imaginou-se que Maranhão iria apenas testar a paciência do prefeito Ricardo Coutinho, provocando-o com a nomeação de Guilherme e a posse de Nadja Palitot na Assembléia, para fazer amigos dentro do PSB e, por tabela, estimular úlceras psicológicas no prefeito da Capital.

Ricardo engoliu a corda. E foi com ela que Maranhão enforcou Guilherme Almeida. Simplesmente, Ricardo mobilizou a legenda e vetou a posse de Almeida no Governo, como se fosse dono absoluto do Palácio da Redenção. O pior não foi isso. O que expôs Guilherme Almeida ao constrangimento foi o fato de Maranhão insistir na tese em meio ao fogo cruzado criado dentro do PSB contra o parlamentar.

Maranhão deu discurso para Guilherme Almeida peitar o partido com o qual se elegeu, se arriscando sofrer conseqüências partidárias, e depois tirou-lhe o tapete. Fez de Guilherme um ioiô obrigado a rodar preso no chão até que ele considere por bem puxa-lo para cima.

Se Maranhão tivesse recuado no primeiríssimo sinal de rejeição do prefeito da Capital a coisa não tomaria o tamanho que alcançou. Mas Maranhão reafirmou por várias vezes, e ainda hoje é capaz de reafirmar de novo, que está mantido o convite para Guilherme Almeida assumir a Secretaria. Só que não nomeia. Chegou ao cúmulo de manter a vaga em aberta para acentuar a humilhação de Almeida, que acabou nem sendo homem de partido, nem de padrinho.

Está óbvio que Maranhão não nomeará Guilherme para evitar um racha antecipado com o prefeito da Capital. Doido para sair como vítima de um suposto rompimento e evitar o maior tempo possível de um prefeito da Capital como inimigo, o governador já orientou a todo o seu exército que se algo acontecer deverá partir de Ricardo.

Só que ele deveria ter escolhido outra personagem para usar como fantoche nesta novela. Ao fazer isso, além de desprezar Campina Grande, Maranhão debocha de mais de cinquenta anos de história política. Guilherme Almeida não é qualquer um. Tem passado, presente e, até então, futuro. Para quem não sabe é neto de dois dos maiores homens público da Paraíba: Argemiro de Figueiredo, ex-governador, ex-senador, ex-deputado estadual, ex-deputado federal e Elpídio de Almeida, ex- prefeito de Campina Grande e ex-deputado federal. Ocupa hoje na Assembléia cadeira que foi de seu pai por dezesseis anos, o ex-deputado Orlando Almeida. Foi vereador de quatro mandatos consecutivos na Câmara de Campina Grande e secretário municipal.

Com que cara o deputado deve enfrentar os colegas e aliados no corredor da Assembléia e nos calçadões de Campina Grande? Com que cara ele deve encarar os dirigentes de seu partido? Que justificativa dará a seus eleitores?

Maranhão não é obrigado a nomear quem quer que seja para o governo. Mas não pode ignorar que a única coisa que o homem público não pode ver furtada é a dignidade. E Guilherme Almeida perdeu a sua por tão pouco.
 

 

Retorno esclarecedor

O ex-governador Cássio Cunha Lima deverá estar de volta à cena política a partir do dia 28. Retorna com a imensa responsabilidade de estancar boatos. Ou confirma-los.

Ato falho

Em tom informal, o deputado federal Luiz Couto confirmou neste final de semana que parte da oposição a Cássio sempre se esforçou para evitar a presença do presidente Lula na Paraíba em inaugurações. “Agora é mais fácil ele vir”, disse Couto, sem perceber (?) a gravidade da declaração.

Manda quem pode…


Diz-se que é a grande a peregrinação à residência do governador Maranhão de pessoas querendo falar com a desembargadora Fátima Bezerra dada à fama da influência no governo da primeira-dama do Estado. A maioria quer ir direito à magistrada, evitando o contato com Maranhão.

Jogando contra

O deputado José Aldemir (DEM) tem feito campanha de bastidor para que os colegas deputados evitem a posse de Ricardo Barbosa (PSDB) na Assembléia.

Uma mão lava a outra

O prefeito Ricardo Coutinho (PSB) tem mandado recados indiretos ao senador Cícero Lucena (PSDB) via interlocutores do PSDB insinuando suposto apoio ao tucano na disputa pela prefeitura de João Pessoa em 2012 em troca do aval na aliança com Cássio em 2010.

Capital inicial homenageia Cássio

Na festa de quinze anos da filha do empresário Clodoaldo, o cantor Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial, dedicou uma música em especial ao ex-governador Cássio, lamentando a cassação. Que País é este?,perguntou o cantor diante de uma platéia que contava com o senador Roberto Cavalcanti (PRB).
 

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