Gente, o PCB está arrependido, ó. Faz-me rir.

Pode não dizer isso com todas as letras, mas a nota divulgada pelo secretariado nacional do partido, assinada por Ivan Pinheiro, pode ser traduzida como “ai, que droga, o que é que eu fui fazer?”, em relação à cassação do governador Cássio. Depois da “vitória” da cassação, agora eles querem a expulsão de todo comunista que aceitar cargo no governo Maranhão. Agora me digam: é ou não é engraçada essa nossa política?

O arrependimento não é, propriamente, pela estratégia da cassação ter dado certo. O problema é que eles não contavam com a astúcia de José Maranhão. Acreditaram, tadinhos, que poderia haver nova eleição.

O PCB recorreu contra a posse do segundo colocado, pedindo a anulação de todo o processo eleitoral e a convocação de novas eleições gerais para governador, senador, deputados federais e estaduais. “Entendemos que o abuso de poder contaminou todo o processo eleitoral no Estado, já que as campanhas para Governador influenciam as dos demais cargos estaduais”, diz a nota do partido, num lamento quase infantil.

Em Nota Pública, a direção nacional do PCB havia deixado claro, anteriormente, que “o PCB não terá qualquer participação no novo governo do Estado da Paraíba, com relação ao qual guardaremos total independência política”.

Mas, segundo a nota assinada por Ivan Pinheiro, os membros do partido receberam com “perplexidade” a notícia de que membros da direção regional do Partido na Paraíba tomaram posse em cargos de confiança, nomeados pelo novo Governador do Estado.

Diz a nota atual: “Diante disso, o Secretariado Nacional do PCB decide: a) destituir, política e juridicamente, toda a direção regional do PCB na Paraíba e desautorizar qualquer militante no Estado a falar em nome do Partido; c) instaurar processo de natureza disciplinar contra todos os membros do PCB que assumiram cargos de confiança no novo governo ou que tenham contribuído nesse sentido;d) considerar como expulsos do PCB todos os que se mantiverem nos cargos assumidos, a partir desta data”.

Ainda segundo a nota, o PCB certamente tirará lições deste episódio, em que acabou sendo usado, de forma reincidente, por carreiristas e oportunistas, numa disputa entre setores da oligarquia pelo controle da máquina do Estado.

Será mesmo que os comunistas aprenderam alguma coisa? Será mesmo que cassistas, ricardistas e maranhistas tiraram alguma lição dos recentes acontecimentos políticos? Será que os cassistas não foram auto-confiantes demais? E os ricardistas, será que não foram precipitados demais ao esnobarem Maranhão? E Maranhão, será que aprendeu que não é o último biscoito recheado do pacote?

Veremos, em 2010, quem terá aprendido alguma coisa.

 

De Arimarcel Padilha para Ivan

 

“Camarada Ivan,
Era tempo de o Partido despertar para o uso indevido da legenda na Paraíba. Isso já havia sido alertado, e agora comprovado.
Lamento que o Partido ainda esteja, na prática, sendo instrumento do mesmo grupo oligárquico e empresarial do estado da Paraíba.
Os autênticos comunistas do nosso País precisam saber!
O Povo da Paraíba deve ter o direito de escolher o seus representantes, é direito do cidadão consignado na Constituição Federal e no princípio da soberania do voto popular – Eleições Diretas!
Historicamente, essa luta foi e tem sido dos comunistas e do PCB.
Consideramos acertada e explicativa a presente nota do Secretariado Nacional do PCB. No entanto, para nós paraibanos, os fatos promovidos pelo diretório estadual, agora destituído, necessitam de correção por posição e ato da Nacional do PCB, visando guardar coerência com a presente nota, senão vejamos:
1- O diretório estadual do PCB agiu em detrimeto à coerência e as determinações da Nacional, se mantendo omisso quanto ao chamamento do segundo colocado nas eleições de 2006;
2- Os advogados do PCB no processo, que hoje são o Procurador, o Secretário da Casa Civil e assessores do novo governo no Estado da Paraíba, também deveriam ser urgentemente destituídos;
3- O Partido tem silenciado quanto aos ainda possíveis recursos que questionem judicialmente o seu pedido inicial, qual seja de garantir novas eleiçoes diretas, respeitando a soberania do voto popular;
4- O Partido pode ainda manejar recurso junto a Corte Suprema, objetivando garantir novas eleições. Aí sim, o partido seria o protagonista da vontade popular, através de Recurso Extraordinário, que seria extensivo à todos os demais casos de cassação de governadores no País, por ser tema constitucional;
5- O Partido tem silenciado quanto ao julgamento final no TSE, que determinou a posse do segundo colocado, deixando de garantir o que expressa o princípio soberano da vontade popular, que são as novas eleições diretas”.

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