Uma das maiores ofensas que se pode praticar contra alguém é subestimá-lo na inteligência. É, com a devida vênia, o que Maranhão e Ricardo Coutinho estão fazendo com a imprensa política da Paraíba. Não que estejam errados. Não. Política é mesmo a arte de representar. Mas ambos exageram no disfarce. Eles não conseguem esconder nem de si mesmos que estão politicamente rompidos e querem que o resto da humanidade acredite. Não se trata de estimular o estremecimento de relações. Nem adianta, com fez o vereador Fernando Milanez em entrevista ao PB Agora, colocar panos quentes. Trata-se da lei de ação e reação, evento natural das coisas. Repito: Maranhão e Ricardo já romperam. Não se trata mais de checar ou não se isso é verdade. Trata-se apenas de aguardar que o futuro faça submergir de forma evidente o fim da aliança política entre ambos, assim como a bancada de Areia Vermelha na maré baixa.

Vejamos se estou errado. Ricardo e Maranhão não tem um passado extenso de cumplicidade. Na Assembléia, o então deputado sempre fez oposição ao governo Maranhão. Maranhão, nas duas administrações anteriores, nunca contou com o atual prefeito. Em 2004, por conveniência pessoal de ambos eles se juntaram, com Ricardo cedendo a vaga de vice-prefeito para o PMDB recebendo em troca uma estrutura partidária eleitoral que nunca tivera. Em 2006, na hora da recompensa, o prefeito levou o primeiro grande fumo de Maranhão. Candidato ao governo, e com grandes chances de vitória, o peemedebista não teve como garantir vaga de vice-governador para o prefeito da Capital. Nem se sabe ao certo se Maranhão, pessoalmente, queria uma indicação de Ricardo, que no coletivo, admitamos, exceto ele próprio, não desfruta de quadros políticos de peso. Venceu o PT e Maranhão respirou aliviado em não ter que dividir a chapa com Edvaldo Rosas. Sinal de alerta entre os dois. Percebeu-se que não eram líderes fraternalmente unidos de um grupo político. Apenas beneficiários mútuos.

Veio a derrota de Maranhão e, logo após, um logo processo que resultou na cassação de Cássio Cunha Lima. Durante todo o processo, o prefeito de João Pessoa nunca exprimiu uma declaração sequer defendendo a cassação de Cássio. Estava se formando nele a possibilidade de governar a Paraíba e Maranhão de volta atrapalharia os planos. Novo sinal de alerta. Desta vez, no Altiplano. Durante meses, especulou-se provável aliança entre Ricardo e Cássio, dado a generosidade em que ambos se tratavam. Ricardo deixou bem claro que para Maranhão que os inimigos dele eram diferentes dos alimentados pelo PMDB. Veio 2008 e, talvez, o maior sinal de rompimento. Ricardo ignora de forma desprezível os apelos do PMDB de Maranhão e indica Luciano Agra para vice-prefeito.

Está na cara como nariz: a trajetória de Ricardo e Maranhão foi pautada por “traições veladas”. E o futuro preconiza alfinetadas maiores. Por um motivo muito simples: com a posse de Maranhão, o caminho de ambos se cruzam em 2010. Maranhão não tem, nem se quiser, como abrir mão da reeleição para apoiar Ricardo. Veneziano Vital do Rego jamais permitiria isso. E Ricardo não tem como deixar o campo livre para Maranhão porque não pode deixar a oportunidade de disputar o governo na prefeitura de João Pessoa. Em resumo, as vaidades nunca foram as melhores razões das convergências.

Ricardo e Maranhão poderiam até passar uma borracha no passado, estreitando os laços. Mas é no futuro que seus destinos se distanciam. Vale o fato concreto que pesquisas eleitorais feitas pelos dois grupos apontam que Maranhão e Ricardo se alternam na liderança da disputa pelo governo do Estado. Não adianta tentarem negar as evidências. Maranhão e Ricardo, pela igualdade dos desejos, já romperam. Falta apenas registrar em cartório.

 

Depois de Weick, é a vez de Ivan e Deusdhet

Quem pensa que o processo de debandada de auxiliares do prefeito Ricardo Coutinho para o governo Maranhão III acabou com a posse de Marcelo Weick na Procuradoria-Geral do Estado vai se surpreender com a provável saída de Ivan Burity (Sedurb) e Deusdeth Queiroga (ex-STTRans). Ambos estão ansiosos para estadualizarem seus cargos.

Vai sobrar emprego na Capital

Fonte ligada a Maranhão disse, inclusive, à coluna que se Maranhão aceitar todo mundo que está querendo ir para o governo a prefeitura de João Pessoa será esvaziada.

O que será do Fenart?

A próxima edição do Fenart iria contar com show de Carlinhos de Jesus dançando ao som da Orquestra Sinfônica e ainda com o lançamento do filme dos Titãs. Estava quase tudo pronto para o evento ser realizado em abril.
 

Mais um gesto

Era pra não dizer, mas circula a informação de que o senador Cícero Lucena ofecereu a presidência do PSDB para o ex-governador Cássio Cunha Lima.

Atenção

O Bloco dos Piratas pode sair logo depois do Carnaval, com concentração na Câmara Municipal de João Pessoa.

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