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Em meio a pleito apertado, candidatos se preocupam até com romaria do Padre Cícero

Preocupados com a alta taxa de abstenção no segundo turno, PT e PSDB vão passar a semana tentando reforçar a importância do comparecimento às urnas no domingo. Tucanos querem evitar a debandada de eleitores em virtude do feriado prolongado em alguns estados. Petistas temem por romarias no Nordeste, como a de Finados, em Juazeiro do Norte, no Ceará. As duas campanhas, entretanto, terão que lidar com dois fenômenos comuns: a seca no Norte do país e as migrações sazonais, que levam milhares de eleitores do norte de Minas para o corte de cana no interior de São Paulo. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 24,6 milhões de pessoas deixaram de votar no primeiro turno. O índice de 18,12% foi o mais alto desde 1998. E, historicamente, a tendência é que o percentual seja maior no segundo turno (veja quadro).

Levantamento do TSE mostra que, em 3 de outubro, os ausentes estavam concentrados em cidades pequenas, como Guajará, no Amazonas. Dos 7.818 eleitores aptos no município, 3.722 votaram. A seca que atinge a região é apontada como motivo pela abstenção de 52,3% dos eleitores. Outras seis cidades do estado também tiveram alto número de faltosos. De acordo com a Defesa Civil estadual, 38 dos 62 municípios do estado decretaram situação de emergência. Mais de 72 mil famílias já foram atingidas pela estiagem e o baixo nível dos rios.

“Com a seca, o eleitor tem muita dificuldade. Precisa se dirigir a uma cidade e o trajeto normalmente leva duas horas de lancha. Agora, ele tem que caminhar. A situação desestimula o comparecimento e a tendência é que se agrave”, afirma o diretor do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), Pedro Batista. No estado, a Justiça organiza seções especiais para atender as comunidades ribeirinhas. Por turno, essa logística custa R$1,1 milhão e envolve entrega de urnas, frete de hidroaviões, contratações especiais de funcionários, aluguel de pista de pouso, entre outros. “É uma eleição muito cara e por conta da seca estamos com gastos extras”, admite o diretor do TRE-AM, que estava ontem redigindo um pedido de suplementação para o TSE. O município de Iranduba solicitou a inclusão de três comunidades no segundo turno e precisa de R$ 50 mil.

Em Minas Gerais, o alto percentual de ausentes no Vale do Jequitinhonha pode atrapalha os planos petistas. A abstenção é motivada pela saída de trabalhadores que vão buscar sustento nas usinas de açúcar e álcool no interior paulista. Os cortadores de cana saem de casa, entre abril e maio, deixando para trás mulheres (as chamadas viúvas da seca), com os filhos. Só retornam em dezembro, ou seja, depois da eleição. Em Jenipapo de Minas, a ausência foi de 41,32%, uma das mais altas do país. A perspectiva é de que o índice se repita no domingo.

“É uma consequência de um flagelo social, que se repete a cada ano em nossa região, representado pela migração. Os pais saem para o corte de cana, deixando para trás as mulheres e os filhos, pela falta de uma alternativa econômica e outro meio de sustentabilidade”, lamenta o prefeito de Jenipapo de Minas, Márlio Costa (PDT). Segundo ele, a cada ano cerca de 2,5 mil pessoas deixam o lugar em busca do sustento temporário nos canaviais paulistas. Na cidade, é explícito o apoio a Dilma Rousseff, com propaganda da petista espalhada pelas ruas.

Cabresto

Teresa da Silva Santos, mãe de seis filhos, conta que o marido não votou porque está trabalhando no corte de cana. Ela revela, porém, que em eleições municipais o marido voltou a cidade somente para votar, contando com a ajuda extra de candidatos a vereador da cidade.

Assim como no restante do Vale do Jequitinhonha, embalada pelo Bolsa Família e outros programas sociais e favorecida pela própria barragem de Setúbal, Dilma ganhou com folga em Jenipapo de Minas no primeiro turno: 2.029 (71,8%), contra 680 votos (24%) do tucano José Serra e 108 votos (3,8%) de Marina Silva (PV). No entanto, mesmo com a larga vantagem, a petista “perdeu” para as abstenções, que somaram 2.226. O município tem um total de 5.282 eleitores.

Um dos coordenadores da campanha petista, o deputado Cândido Vacarezza (PT-SP) tentou minimizar o provável aumento da abstenção no segundo turno. “O nosso adversário está muito preocupado com a ausência. É natural que no segundo turno haja um índice maior, mas nossos eleitores vão votar, tenho certeza”, afirma. Os tucanos estão apreensivos com a possibilidade de os eleitores paulistas, onde Serra lidera as pesquisas, viajarem no feriado prolongado. O PSDB prepara um levantamento sobre o possível impacto da abstenção nos estados. Ontem, o próprio Serra reforçou: “Perca um feriado e ganhe um feliz ano novo”.

Números inflados

O alto índice de abstenção no primeiro turno foi inflado pela Justiça Eleitoral com a inscrição de títulos de pessoas mortas. Entres os 24,6 milhões que deixaram de votar, o Correio mostrou que estão celebridades como o escritor Fernando Sabino, o ex-governador Miguel Arraes e a médica Zilda Arns, vítima do terremoto do Haiti. A Corregedoria do TSE abriu procedimento para apurar possíveis irregularidades no cadastro nacional de eleitores.

 

Correio Braziliense

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