Deve ser uma luta interna dificílima. A não ser que Cássio tenha, de fato, o espírito de grande estadista, ele está hoje entre o dilema de torcer por uma má administração de Maranhão e, por conseqüência, por mais sacrifícios do povo paraibano para comprovar a injustiça, e até a ineficácia da cassação, ou por uma gestão bem-sucedida capaz de continuar a trabalhar, como ele mesmo dizia, “para os que mais precisam”, melhorando a vida do paraibano, mas, em contrapartida, fortalecendo o projeto de reeleição do atual governador.

No primeiro caso, em que pese a acentuação do sofrimento de um estado como a Paraíba, colherá dividendos eleitorais em 2010. Em suma, terá mais discurso de campanha e mais votos de vingança se Maranhão III for um desastre. Mas isso significaria o sacrifício dos paraibanos que já não podem se dar ao luxo de dois anos de desastre administrativo.

Em que Cássio pensa, então? Na vida dos paraibanos ou no insucesso de Maranhão? As duas coisas não se combinam e a resposta para essa pergunta é que vai balizar o discurso do ex-governador daqui pra frente. E se Maranhão conseguir imprimir um ritmo administrativo competitivo? Elementos não lhes faltam.

Primeiro, o relativo equilíbrio fiscal do governo. E quem diz isso é o silêncio da própria equipe de Maranhão sobre “rombos” financeiros no Estado. Percebam que, apesar de discordar do saldo financeiro de R$ 153 milhões anunciados pela gestão anterior, em nenhum momento o governo Maranhão III foi a público para dizer: “Deixaram um rombo nas contas que não há receita que pague”.

Além do mais, apesar da crise econômica que a arranha a porta da frente dos estados, Maranhão tem no governo Lula um aliado poderosíssimo. Para conter a crise e às portas de uma campanha presidencial, o governo Lula poderá abrir as torneiras com menos responsabilidade, transbordando de recursos federais as obras nos estados. A Paraíba se beneficiaria com isso. Conclusão da duplicação da BR-230 e a tão sonhada ampliação do Porto de Cabedelo podem ser, de cara, as primeiras intervenções neste sentido, dando ao governo Maranhão III um ar de desenvolvimentista.

Além disso, Maranhão trabalha na intenção de simplesmente concluir e inaugurar obras em andamento do governo Cássio, reafirmando a condição de “mestre-de-obras” e, pior, procurando conferir um quadro de abandono da gestão anterior.

Em todos estes casos, o tempo para Maranhão é um pesadelo, já que a rigor tem menos de um ano e meio antes de colocar seu nome à prova no novamente numa disputa eleitoral. Não por menos tem dito “não sou candidato à reeleição, mas a um bom governo”.

Por outro lado, o curto tempo pode passar de pesadelo ao melhor aliado do novo governador. Imagine se Maranhão conseguir imprimir a imagem de um governo fez muito em pouco tempo. Será um fardo difícil para a oposição.

Por ora, perto de completar um mês de gestão, Maranhão vive numa espécie de trégua natural, se deleitando com visitas a obras e audiências com ministros. Embora já registre alguns sinais de ônus do governo, como as ameaças de greve dos delegados, dos policiais civis, bem como dissabores políticos com o prefeito Ricardo Coutinho e com as naturais insatisfações dos aliados ante à nomeação de cargos, o novo governador está sob a proteção da “novidade”.

Mas não ficará por muito tempo. Afinal, se Maranhão quer fazer um governo de quatro anos em dois tem que saber que um mês significa dois no calendário administrativo.
 

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