O próximo governador da Paraíba passará por este grupo se mantivermo-nos unidos. A frase rompeu as dependências da residência onde o ex-governador Cássio Cunha Lima reuniu, pela primeira vez, aliados políticos depois do afastamento do cargo. Foi com ela que Cássio cumpriu, de uma só vez, vários objetivos.

Primeiro, entre tantos, de manter viva a expectativa de poder do grupo, combustível fundamental para qualquer exército em guerra. Depois de não se comprometer com nome algum, para não criar, ao menos agora, rachaduras numa base que precisa se reestruturar, assim como telhado que exige reparos após longa noite de tempestade.

Ao dizer “o próximo governador da Paraíba passará por este grupo” Cássio quer dizer: “Somos importantes dentro do processo e só precisaremos definir qual o melhor caminho”. Não disse que o candidato tinha que ser o senador Cícero Lucena. Mas também não disse que não deve ser Cícero. Leva em conta a tese de que é preciso respeitar as etapas. E a garantia da unidade é a primeira delas. Mesmo que essa unidade possa estar, lá na frente, a serviço de uma candidatura fora do grupo, como a do prefeito Ricardo Coutinho, por exemplo.

O fato é que Cássio convocou a base oposicionista no Estado a fazer parte como protagonista do processo de sucessão estadual na Paraíba. Quer evitar que seu grupo e, especialmente ele próprio, atue apenas como espectador numa luta em que os protagonistas estarão todos, eu disse “todos”, do lado de lá.

Daí surge a indispensável relevância do papel dos senadores Cícero Lucena e Efraim Morais, duas únicas figuras dentro do grupo atual candidatos a encenar o papel principal em 2010. O desafio de ambos é fazer com que essa unidade genérica pregada por Cássio possa ser usada em nome de seus projetos.

Não é tarefa fácil. Ambos não possuem nas mãos prefeituras férteis como João Pessoa e Campina Grande. O que podem prometer para os aliados que terão campanhas caras? Terão problemas em conquistarem para si grandes empresas de comunicação, que parecem já terem escolhido seus candidatos ao governo em 2010. O desafio de Cícero e Efraim e chegar às portas do próximo ano com o mínimo de perspectiva de poder. Caso contrário, não conseguiram atrair atenção de ninguém.

Em poucas palavras, Cássio liberou a todos. Para ele, a única condição inalienável é de que ninguém chegará perto de governar a Paraíba se não passar pelo aval do grupo. Seja nativo ou estrangeiro.
 

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