Categorias: Política

Campina Grande: sobrenome basta?

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A oficialização de Diogo Cunha Lima neste 27 de abril como pré-candidato a vice-governador reacende um debate que Campina Grande conhece bem: afinal, o que credencia alguém a representar a cidade — a história ou a presença?

Diogo recorre ao argumento clássico: “cresci aqui, estudei aqui”. É legítimo. Campina não se apaga da biografia de ninguém. Mas, em política, memória afetiva não pode substituir compromisso atual. A cidade que molda também cobra presença, posicionamento e participação nos seus desafios cotidianos.

O ponto mais delicado não está nem em Diogo isoladamente, mas no contexto. Seu nome surge como solução interna de um grupo político após a saída de Pedro Cunha Lima, que, por sua vez, já admitiu estar distante da realidade campinense 14 há anos. Isso enfraquece o discurso de pertencimento que agora se tenta reconstruir.

E aqui está a pergunta que inevitavelmente ecoa: Campina precisa de representantes que foram da cidade ou que são da cidade hoje?

Enquanto isso, outras lideranças locais — goste-se ou não delas — mantêm atuação direta, enfrentam críticas, participam da gestão e estão inseridas no dia a dia da população. Isso pesa. Em política, presença contínua costuma falar mais alto do que lembranças do passado.

Outro ponto que incomoda parte do eleitorado é o silêncio. Se há um grupo político com raízes profundas em Campina, por que a pouca disposição em se envolver diretamente nos problemas da gestão local? A ausência de posicionamento, especialmente em momentos críticos, acaba sendo interpretada como distanciamento — e não como estratégia.

É evidente que o sobrenome Cunha Lima tem força. Carrega legado, história e capital político. Mas também traz um desafio: provar que esse capital não é apenas hereditário, e sim renovado na prática.

Diogo chega com o peso desse nome — e com a responsabilidade de mostrar que não é apenas continuidade automática de uma tradição. Precisa demonstrar que há mais do que herança: há projeto, presença e compromisso real.

Porque, no fim das contas, Campina Grande não é apenas um lugar onde se nasceu ou estudou. É uma cidade viva, exigente, que cobra de quem quer representá-la algo simples — e difícil: estar presente de verdade.

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