O grito ecoa: Camila, Camila, Camila. Mas, desta vez, não é o grito de uma personagem condenada a dor (Nenhum de Nós). É o grito de uma mulher que transformou a própria história em força para lutar por outras mulheres.
Observando as redes sociais e a participação da primeira dama do Governo da Paraíba, Camila Mariz, na campanha pela reeleição do esposo, Lucas Ribeiro (PP), uma coisa chama atenção: ela encontrou seu próprio jeito de fazer política.
Camila não aparece apenas como esposa do governador ou como integrante da militância. Ela ocupa o espaço de primeira-dama com conhecimento, sensibilidade, empatia e, sobretudo, educação.
Em tempos em que a política muitas vezes é marcada pelo ataque e pela tentativa de destruir reputações, Camila parece escolher outro caminho: o da presença sem agressividade, da firmeza sem grosseria e da defesa de suas ideias sem precisar diminuir ninguém.
É uma mulher jovem, mãe dedicada, esposa apaixonada e, ao mesmo tempo, uma mulher empoderada, que vem construindo uma identidade própria na vida pública. E há nela uma fé latente, genuína e profundamente religiosa, que também se revela na maneira como enxerga a família, enfrenta os desafios e conduz sua caminhada.
Uma fé que não parece apenas discurso, mas parte daquilo que ela é e dos valores que carrega consigo.

E talvez seja justamente aí que esteja sua força.
A terapeuta Andrea Vermont usa uma imagem poderosa ao falar sobre o papel da mulher na família: o alicerce. Aquilo que fica embaixo não é necessariamente inferior. É aquilo que sustenta.
E alicerce não aparece na fachada da casa. Mas, sem ele, nenhuma parede permanece de pé.
Camila parece exercer esse papel na vida de Lucas. Não como uma mulher atrás de um homem, mas ao lado de um homem. Como companheira, mãe e parceira de caminhada.

E há ainda uma dimensão mais profunda nessa história.
Camila carrega uma experiência pessoal marcada pela violência: perdeu a mãe, vítima de feminicídio. Essa dor poderia ter ficado restrita à memória familiar. Ela, porém, transformou sofrimento em compromisso público com a defesa das mulheres.
Por isso, quando Camila fala sobre violência, proteção e direitos femininos, existe algo além do discurso político: existe experiência.
E é justamente aí que o grito ganha outro significado.
Camila! Camila! Camila!
Não é o grito da mulher perseguida, silenciada e vítima da violência.
É o grito de uma mulher que diz que está pronta para reagir, lutar e defender todas as outras Camilas.

A Camila que sofre.
A Camila que recomeça.
A Camila que cria os filhos.
A Camila que trabalha.
A Camila que sonha.
A Camila que decidiu não permanecer em silêncio.
Talvez essa seja a grande marca de Camila Mariz: ela consegue ser alicerce sem deixar de ser protagonista.
Com juventude, mas sem ingenuidade. Com emoção, mas sem perder a firmeza. Com delicadeza, mas sem fragilidade.
Camila não precisa ser a parede para mostrar que é forte.
Ela pode ser o alicerce.
Porque quem entende de construção sabe: é a força da base que permite que todo o resto permaneça de pé.
Camila, Camila, Camila.
O grito ecoa.
E, desta vez, ele não anuncia uma vítima.
Anuncia uma mulher pronta para lutar.
