A reportagem do PB Agora teve acesso, essa semana, a áudios que apontam para uma negociação escusa entre legislativo e executivo no município de Santa Rita, região metropolitana de João Pessoa, nos mesmos moldes do ocorrido na cidade portuária de Cabedelo e que culminou com a prisão de prefeito e vereador no âmbito da Operação Xeque Mate da Polícia Federal.

A prática negociada na terra dos canaviais seria a ‘rachadinha’, àquela em que pessoas, indicadas por vereadores, são nomeadas para trabalhar como comissionados no âmbito da gestão municipal – apenas ganham um percentual para disponibilizar a documentação, sem precisar trabalhar – e a outra parte, o montante maior, é repassado para quem fez a indicação.

Neste caso, o responsável pela indicação seria o vereador Cícero Medeiros (PRB), que na semana passada, após uma manobra, conseguiu se eleger presidente da Câmara Municipal, diante do afastamento provisório do atual presidente, Gustavo Santos (Podemos), mas, no mesmo dia, teve a posse frustrada por decisão judicial.

No áudio, Cícero conversa com uma pessoa não identificada sobre a negociação com o prefeito Emerson Panta (PSDB) no tocante a um ‘benefício por fora’. E revela que o prefeito pediu calma e que iria ajudá-lo.

Em outra gravação, Cícero relata ter caminhões locados na prefeitura e admite que o que recebe não é micharia, já que, além dos caminhões locados, também tem as vagas nos cargos comissionados.

No terceiro áudio, o vereador chega a citar as cifras, ao relatar que cada comissionado é indicado no valor de R$ 1.080/mês, e que desse valor, ele paga apenas R$ 300 e fica com o restante. Ele acrescenta que já tem 13 nomes indicados e quer inserir mais quatro, a fim de contabilizar 17 nomes na ‘rachadinha’.

Se as contas forem realizadas, o vereador poderia chegar a receber quase R$ 20 mil/mês, ao retirar uma parcela em torno de R$ 800 do salário de cada indicação feita na prefeitura da cidade.

A reportagem do PB Agora entrou em contado com a prefeitura de Santa Rita através de Email e Whatsapp, mas não fomos respondidos. Ligações também foram realizadas, mas ninguém atendeu até o momento.

O vereador Cícero Medeiros também não respondeu ainda aos nossos questionamentos.

CONFIRA 

Áudio 1

Cícero Medeiros: quatro ou dobro ou cinco ou de seis. Quando eu falei – Doutor, e a ajuda e o benefício por fora, como é que vai ficar? Ele disse calma que eu já vou aí ajudar você.

Áudio 2

Cícero Medeiros: mil e pouco que eu tenho. Gil tem um caminhão lá dentro que serve. Eu tenho outro que serve. Eu não posso dizer que eu tô lá com micharia que eu num tô. Fora as vagas, a gente tem 13 pessoas empregadas, fora os quatro nomes né. Queira quer não mais quatro nomes faz 17 né.

Desconhecido: é porque o seguinte é esse, nesse seu caso aí, ia ter (inaudível).

Cícero Medeiros: Aí é outra coisa.

Áudio 3

Cícero Medeiros: Eu fico com mil e oitenta de cada nome, mil e oitenta, e dou trezentos.

PB Agora

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