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As cobranças de Cássio e os desafios de Cícero

O candidato de Cássio ao governo do Estado é Cícero. Mas a natureza e a gravidade das exigências para que isso aconteça são tantas que faz pensar o contrário. Elas foram feitas, claramente, durante reunião do ex-governador com a base aliada nesta quarta. E revelaram que os desafios do senador Cícero Lucena são semelhantes ao de Hércules, que recebeu missões para não cumprir.

A principal delas foi a de que Cícero viabilizasse seu nome para a disputa pelo governo do Estado. Ou seja, que entrasse na disputa até agora polarizada apenas entre Maranhão, que metade da Paraíba gosta e metade não gosta, e Ricardo Coutinho. E que, para isso, usasse o caminho da oposição explícita a Maranhão, coisa ainda não testada por Cícero.
 

Está na cara e é indiscutível que não há outro caminho para Cícero “linkar” natural e eleitoralmente sua imagem a Cássio senão pela oposição frontal a Maranhão. Não basta ser do mesmo partido.

O eleitor quer que a identidade de Cícero seja compatível com a de Cássio, para que a aliança não soe falsa.

Ora, a questão é simples: metade da Paraíba vota com Maranhão porque gosta. A outra metade não vota porque detesta. Quem não preencher os anseios desta outra metade não pode dizer que está com Cássio. Mesmo que insista em dizer que está.

Por isso que Ricardo Coutinho tem conseguido aproximar sua imagem a do ex-governador tucano. Não porque tenha história de alianças ou ligações políticas com Cássio. Mas porque exala discurso, ainda que velado, muito parecido.

Concordem comigo, caros leitores, por incrível que pareça, Ricardo Coutinho, que é da base de Maranhão e nunca disse que era candidato ao governo do Estado em 2010, consegue parecer mais oposição ao governo do PMDB na Paraíba e mais cassista do que Cícero e todo o PSDB juntos.

Cícero não bate em Maranhão. E com isso, além de provocar repercussão negativa entre os anti maranhistas, contribui para reduzir o seu discurso num debate sobre sucessão estadual, num cenário onde não se aceita omissões: ou o candidato é governista e defende Maranhão ou é oposicionista e bate nele.
 

Reduz para o discurso municipal, contra a gestão de Ricardo. Imagine Cícero num discurso em Pombal falando das rachaduras da Estação Ciência na Praia Cabo Branco, quando os pombalenses querem ouvir sobre o fechamento do hospital pelo governo Maranhão e o que o novo governador pretende fazer para mudar a situação.

Enfim, para virar candidato de Cássio de verdade, entre tantos, Cícero tem que encarar o primeiro desafio: eleger Maranhão como principal adversário do grupo.

Missão essa que, até agora, somente Ricardo tem cumprido com maestria.
 

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