Foto: Nyll Pereira / ALPB

“No futuro, todos terão seus quinze minutos de fama”, afirmou certa vez o cineasta e pintor americano Andy Warhol, conhecido pelos coloridos retratos de Marilyn Monroe e Elvis Presley. E seguindo esse padrão, a oposição ao governador João Azevêdo (PSB), na Assembleia Legislativa, vem conduzindo a máxima do artista estadunidense com esmero.

Não se vê um discurso oposicionista firme e centrado. Tudo é heterogêneo, numa atmosfera incomum na qual cada deputado respira suas próprias convicções; interesses no seu reduto eleitoral, esquecendo, muitas vezes, seu papel enquanto parlamentar, principalmente no que diz respeito ao fiscalizar o Executivo e discutir à exaustão matérias de grande interesse para a sociedade.

Todos ocupam a tribuna da Casa na busca dos seus quinze minutos de fama. Discursos inflamados, retórica perfeita, mas a união não acontece, embora todos digam que estão na mesma “sintonia”. E assim vai a oposição na e da Paraíba. Um carrossel de vaidades, pouca afinidade e estratégias equivocadas.

A deputada Camila Toscano (PSDB), em recente entrevista a uma rádio local, tentou minimizar a problemática, explicando que o jeito de “fazer política” da ala oposicionista segue uma nova linha na condução das críticas e no agir do grupo a que pertence, composto por onze deputados. Diz ela que a oposição não “bate cabeça”. Mas o que se vê é justamente o contrário.

Observando mesmo sem lupa, o fato concreto não reside no discurso polido e diplomático da parlamentar tucana. O que se vê na Casa de Epitácio Pessoa, e nos bastidores, é a preocupação exacerbada dos oposicionistas em garantir um bom desempenho eleitoral nas suas respectivas bases, havendo foco exclusivo nas eleições municipais de 2020.

E nesse caldo “pantanoso” de egos na busca incessante do poder, por mais poder, efetivamente a oposição ao governo de João Azevêdo na Assembleia Legislativa está quase inócua. Algumas vozes destoantes gritam, cumprindo seu papel, mas não são ouvidas. Nem no plenário, tampouco nas comissões especiais da Casa.

E com essa postura pálida dos opositores, a democracia fica enfraquecida. Em tempo: alguém precisa informar aos deputados que figuram a base oposicionista que foi eleita para representar o povo e, não, discutir efeitos mágicos para eleger seus prediletos nas eleições que estão por vir.

E assim está a oposição na Assembleia Legislativa, Casa que abarca as vozes de todo o Estado. Muitos oposicionistas estão sem “eira nem beira”, expressão idiomática vinda para o Brasil colônia nas caravelas portuguesas, cuja tradução está em: “não tem onde cair morto”. Quando se fala em morto, diz-se do processo democrático viciado e prestes a entrar na UTI dos degredados. Agora, alguém pode trazer o desfibrilador? O bom combate precisa ressuscitar.

 

Eliabe Castor
PB Agora

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