O político, filósofo e escritor francês, Montesquieu, escreveu em 1748 a célebre obra “O Espírito das Leis”. Nela, pode-se encontrar a teoria da separação dos poderes, fato hoje consolidado nas democracias, como é o caso do Brasil, no qual o Estado é dividido em Legislativo, Executivo e Judiciário. A intenção é fracionar a influência de alguém ou algo, evitando o acúmulo de poder, a fim de  tolher o totalitarismo e  absolutismo, estando o povo representado pelas instituições e não por um só ser.

A teoria é bela, seja no Brasil, em Shangri-la ou na própria Paraíba. Contudo, sabe-se que, ao longo da história moderna, a relação entre os poderes não foi harmônica em sua totalidade. Não foi e não será, pois os interesses dos que regem as instituições reguladoras do Estado, em certas ocasiões, não convergem para uma união palatável.

Essa premissa do não convergir é notadamente observada nas declarações do deputado estadual Bosco Carneiro, que compõe o chamado G9 – grupo de parlamentares com inclinação independente. Assim como seus pares, ele defende o diálogo estreito entre Legislativo e Executivo, estando em sua observação que o Parlamento jamais deve se curvar às ordens vindas, de maneira expressa, do Palácio da Redenção.

Em suma, Bosco Carneiro dá um “puxão de orelha” no governador João Azevedo, expondo que o papel do deputado da base de sustentação não deve ser confundido como uma simples marionete ou menino de recado, havendo na figura do parlamentar “vida própria”, uma vez que ele representa o povo.

Outro que pensa da mesma forma é o deputado Felipe Leitão, também integrante do G9. Para ele, a pauta trancada na Assembleia Legislativa há duas semanas é o sinal amarelo que o governador João Azevedo necessita, com urgência, ouvir não só o G9, mas sua base como um todo,  a fim de colocar em sintonia seu projeto de governo com a Casa de Epitácio Pessoa e “destravar” o andamento das proposituras que estão no Parlamento.

Por fim, nesse “cabo de guerra” entre o Executivo e os membros do G9, cabe o bom senso das partes envolvidas, observando que o “ouvir” e o “ceder” são atos diplomáticos e democráticos. É bem verdade que uma equação perfeita no alinhavar político é quase impossível, mas o sonho dos poderes  independentes e harmônicos deve permanecer.

 

Eliabe Castor    
PB Agora

 

 


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