Era 21 de março de 1998, noite de festa, de comemoração do aniversário do então senador peemedebista Ronaldo Cunha Lima. Presentes no Clube Campestre, em Campina Grande, cerca de dois mil convidados, dentre eles os principais nomes do PMDB, à época detentor da absoluta hegemonia no estado.

Ninguém ali imaginava, mas aquele dia estava predestinado a mudar os rumos da política paraibana. Ronaldo tomou o microfone, proferiu um duríssimo discurso contra o então governador José Maranhão, seu correligionário, que exercia o primeiro mandato. Veio o rompimento das relações, o racha no PMDB, a ruptura que marcou o cenário político paraibano.

E quando ponho o verbo “marcar” no pretérito, falo de um novo cisma político que redefiniu o mapa político paraibano, após as duras críticas do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) ao seu sucessor, João Azevêdo que, horas mais tarde, solicitou desfiliação das hostes socialistas.

Os primeiros impactos radioativos da ogiva nuclear detonada por Coutinho já foram observados. E aqui falo no centro da detonação do artefato bélico. Ele foi lançado com precisão na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), Casa que dá voz a toda Paraíba por sua representatividade política.

Lá estão 36 deputados que representam todas as regiões paraibanas. E nesse aglutinado, existe um grupo denominado G11. Trata-se de parlamentares com certa autonomia ao Palácio da Redenção, cuja representatividade na Assembleia Legislativa chega a 30%.

E nessa guerra entre “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, Azevêdo não pode abrir mão do apoio do G11. Motivo? A base oposicionista conta com 12 parlamentares. Após o racha, outros quatro virão nas pessoas de Estela Bezerra, Cida Ramos, Buba Germano e Jeová Campos.

Azevêdo entende que, para continuar seu projeto de governo, necessita de maioria absoluta na Casa de Epitácio Pessoa, e aí o G11 cumprirá o seu papel, assumindo voz e vez na gestão do Executivo.

Como bem colocou o deputado Tião Gomes, filiado ao Avante, chegou a hora do grupo mostrar sua inteira fidelidade ao governador, oferecendo sustentabilidade política para administrar a Paraíba.

No mesmo diapasão do decano Tião, o neófito Felipe Leitão (DEM) entende que a aposição “raiz”, somado aos quatro “nutella”, como classificou seu colega, Cabo Gilberto (PSL), oferecerão resistência acirrada à gestão de Azevêdo, em especial aqueles ligados a Ricardo Coutinho, em ranço de quase vingança.

E nesse mar de discórdia, e também concórdia, é natural toda essa instabilidade política. Esse é o princípio da democracia. Caberá a João Azevêdo convocar uma reunião com o G11, o presidente da Casa, Adriano Galdino (PSB), que é aliado do chefe do Executivo Paraibano, e toda sua base de sustentação na ALPB.

Motivo? Ou João Azevêdo abre caminho efetivo em sua gestão para o G11 na forma de governar, pondo pessoas de confiança do grupo em cargos públicos no primeiro e segundo escalões, ou não resistirá ao fogo de duas oposições.

Em tempo, a deputada Camila Toscano (PSDB) e outros oposicionistas de primeira hora ao governo atual informaram que “água e olho não se misturam”. Em tradução livre, a oposição comandada por Ricardo Coutinho não terá o “passe legal” para ingressar no bloco dos oposicionistas históricos. E quem for “nutella”, que busque seu espaço ao sol.

 

Eliabe Castor
PB Agora
• Início do texto extraído e adaptado para os dias atuais do Diário da Borborema

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