Categorias: Política

Acordo com PSC pode trocar pastor Feliciano por deputada

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Pode ser hoje ou amanhã, mas não deve passar desta semana a solução para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara. O mais provável é que o pastor Marco Feliciano (PSC-AC) renuncie em favor da vice-presidente da Comissão, a também evangélica e correligionária, Antônia Luciléia Ramos Câmara (AC).

O acordo vem sendo costurado desde que as manifestações contra a permanência de Feliciano no cargo inviabilizaram o funcionamento da comissão, com repercussão negativa para seu próprio partido, o PSC, e para a instituição legislativa. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) já concluiu que a eleição do pastor foi um erro político coletivo.

Já na quarta-feira passada Feliciano esteve a um passo da renúncia, única saída legítima para o impasse criado depois da publicidade de suas posições polêmicas em relação à questão racial, casamento gay, aborto e das cenas de mercantilismo religioso que protagonizou ao exigir de um fiel, mais que o cartão de crédito, sua senha, em nome de Jesus.

Ele foi esperado para uma reunião com líderes de seu partido e o presidente da Câmara, mas deixou-os esperando depois de sugerir que entregaria o cargo. O PSC teme que além do desgaste, a polêmica atraia o Ministério Público e criminalize a condução da igreja onde o pastor faz sua doutrinação.

Por essência uma Casa eletiva, a Câmara não tem meios de destituir um parlamentar eleito para um cargo, por manifestar suas opiniões. Por pior que sejam, só a renúncia torna legítima sua substituição, ainda mais já reconhecida a colaboração geral para que ocupasse a presidência da comissão. PT, PSDB e até PC do B abriram espaço ao PSC em troca de vagas em outras comissões.

Ajuda o processo de convencimento político exercido junto ao pastor, a favor de sua renúncia, a exposição de sua família e da igreja. Se outras movimentações de bastidores não alterarem as bases do acordo, o PSC mantém o cargo, que seria ocupado pela deputada do Acre.

Antônia é economista de formação e de perfil mais ameno e isento, segundo lideranças políticas envolvidas com o processo. Mas, a essa altura, a visibilidade ganha pela comissão pode exigir um nome mais sólido, de biografia mais confiável e com trânsito amplo nos segmentos envolvidos com a questão dos direitos humanos.

Trocando em miúdos, a polêmica suscitada pelas posições do pastor pode devolver à comissão a importância que os partidos lhe negaram, ao virar-lhes as costas.

Estadão

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