Coordenador do Gaeco Octávio Paulo Neto - Foto: Divulgação / MPPB
O coordenador do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público da Paraíba, Octávio Paulo Neto, destacou nesta terça-feira (14) a gravidade da infiltração de facções criminosas em estruturas públicas, ao comentar os desdobramentos da Operação Cítrico, deflagrada em Cabedelo.
Ao jornalista Clilson Júnior, o promotor afirmou que a atuação dessas organizações dentro de gestões municipais representa uma ameaça direta à democracia e exige uma resposta articulada das instituições.
Segundo ele, a operação é resultado de um esforço conjunto entre diversos órgãos de controle e investigação.
Não é um esforço somente da Polícia Federal, do Ministério Pouco da Paraíba, através do GAECO, da Controlaria Geral da União, mas também é um esforço também do Tribunal de Contas, da Polícia Civil, e de todos aqueles que, de certo modo ainda, em que pese à desesperança, não abandonaram sua missão e continuam firmes no propósito de combater a improbidade, a ilegalidade e, principalmente, a expansão das facções nos municípios paraibanos”, afirmou.
Octávio Paulo Neto ressaltou que o cenário de Cabedelo já vinha sendo acompanhado pelas autoridades e classificou a situação como “muito singular”, citando episódios recentes, como a cassação de gestor municipal em eleições anteriores e o atual contexto investigado.
O promotor também apontou que há indícios claros da atuação de uma facção criminosa com domínio territorial no município.
“inegavelmente todos sabem também essa questão que envolve uma determinada facção naquele município que tem uma predominância na atuação na questão territorial”, declarou.
De acordo com ele, o avanço dessas organizações também está relacionado ao aumento de crimes na cidade, incluindo delitos patrimoniais e crimes violentos letais intencionais.
O coordenador do Gaeco enfatizou ainda que o trabalho das autoridades está apenas começando e que as investigações não devem se limitar a Cabedelo. Ele reforçou o papel estratégico do órgão no enfrentamento ao crime organizado.
“A nossa missão do GAECO é uma missão estratégica de tentar combater a cabeça de sistema e de fazer caber quem acha que não cabe dentro de um processo criminal”, disse.
Por fim, Octávio Paulo Neto destacou a importância da integração entre instituições no combate às facções criminosas e fez um alerta sobre os riscos para o Estado democrático.
“É necessária a cooperação para que a gente consiga infirmar essas ações das facções em face de municípios, né? Isso, de certo modo, é inaceitável. Por quê? Porque fragiliza a democracia”, concluiu.
PB Agora
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