Por Wellington Farias

Para quem, como eu, já está de saco cheio de ficar, nestes tenebrosos tempos de coronavírus, que ameaça o mundo inteiro, nada melhor do que bons livros e filmes. Hoje apresento minha lista com alguns títulos. Tudo, naturalmente, ao “rigor” do meu gosto pessoal.

Em tempo: não sou crítico de literatura nem de cinema, tampouco nutro o ranço que eles têm (embora a crítica seja fundamental), que beira a raia do preconceito contra algumas obras. Por exemplo: não torço a cara para os Best-sellers. Quem o faz, com toda a certeza está deixando de apreciar grandes obras.

Comecemos pelas minhas dicas literárias, a partir de um tema que tem tudo a ver com política. Além da Bíblia, que dispensa sugestões, leia:

Como morrem as democracias, de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt – Quer entender o que se passa no mundo, politicamente? Por que as democracias estão na corda bamba, nos últimos tempos? Por que Trump ascendeo à Presidência dos Estados Unidos (e até porque Bolsonaro foi eleito)? Então está aqui a explicação, sem bla-bla-bla nem mi-mi-mi.

Quem manda no mundo?, de Noam Chomsky – Tá pensando que presidentes, governadores, senadores, deputados e etc mandam em alguma coisa? Sai daí! São meros mamulengos nas mãos de outras forças verdadeiramente poderosas. Indispensável para quem quer entender o que politicamente se passa no mundo atual, incluindo a eta Trump. Depois desta leitura é que você vai se dar conta de que não somos e não decidimos absolutamente nada neste mundo de meu Deus. Não é a toa que os Estados Unidos continuam dando as cartas no planeta.

O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Duma – Baita livro!!! Não se assuste com o tamanho do tijolaço (1.300 e tantas pgs). Repleto de emoções, o livro conta a história de Edmond Dantè, que passa 14 anos numa prisão acusado por “amigos” de praticar um crime que jamais cometeu. Não posso adiantar nada mais, para não cometer spoiler. Só sei que ele se vinga. Não se admire se você o devorar de um fôlego só. Ops, cuidado: torcer por de um criativo vingador talvez não seja ético… Tem filme inspirado na obra, mas não presta.

Os Miseráveis, de Victor Hugo – Estou lendo agora, em família. Nos primeiros capítulos já dá pra sentir a grandeza deste romance histórico, que denuncia as mazelas da sociedade francesa daquela época. Conta que Jean Valjean passa quase duas décadas preso porque roubou um pão para alimentar a sua família. Este é apenas o fio condutor da história. Logo no começo me veio à cabeça o seguinte: o que faria um juiz prestes a julgar processos inerentes a semelhantes casos? Manteria ou alteraria a sua sentença já prontinha em sua cabeça?…

A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna – Um grande clássico da língua portuguesa, na minha modesta opinião. Não, não é puxada de brasa pra nossa sardinha. A propósito, disse o poeta Carlos Drummond de Andrade sobre o livro de autoria do paraibano nascido no Palácio da Redenção: “Não é toda mente que gera uma obra dessa magnitude”. E se você conhece bem as histórias da Parahyba dos anos 1930, melhor ainda. Esta, porém, é uma leitura para um público leitor que tenha maturidade.

Fogo Morto, de José Lins do Rego – Li há muitos anos. Uma preciosidade da lavra do paraibano de Pilar, ex-presidente do Flamengo. É ambientado num cenário que retrata o declínio dos engenhos de cana-de-açucar. É desse de se também devorar num fôlego só.

O Amor nos tempos do Cólera, de Gabriel Garcia Marques. Um verdadeiro monumento ao amor mais verdadeiro e à paixão. Livraço para quarentena nenhuma botar defeito. Dizem as boas línguas que o ponto de partida para esta bela (nem um pouco piegas) história de amor foi o relacionamento dos pais do autor. Sabe aquela história “hei de amá-la até a morte”? Pois pronto…

Sweeney Todd. O Barbeiro Demoníaco, de Thomas Peckett Prest – Está procurando uma daquelas estórias macabras de arrepiar? Ei-la! Um barbeiro assassino e um fabricante de torras fazem uma parceria que seria negócio muito lucrativo. O desaparecimento de um personagem e seu colar de pérolas, no entanto, leva esta sociedade ao fracasso. Pense bem: um barbeiro assassino e um fabricante de tortas fazem uma sociedade e depois se descobre que aqueles produtos… Bem, deixa pra la. Leia, vale a pena.

Drácula, de Bram Stoker – Já viu Drácula no cinema? Esquece, não vale nada perto do livro que inspirou a película. Aliás, acho que o cinema deturpou demais a obra de Stoker. Pelo menos os primeiros filmes. O de Francis Copolla redime o cinema quanto à esta obra, mas mesmo assim nem se compara. Pra uma quarentena não tem preço. E se for em dias de chuva, trovões e relâmpagos… Vish… Atenção: fiquem bem atento aos diários, senão se perdem na leitura.

A Ilha do Doutor Moreau, de H. G. Wells – Bem, aqui você encanga duas leituras numa só, porque uma tem a ver com a outra: este livro aqui tem tudo a ver com o título sugerido logo a seguir. Este clássico da ficção científica foi publicado em 1896. Charles Prendick, um náufrago, termina indo parar numa ilha do Oceano Pacífico, onde conhece o tal Doutor Moreau que ali faz experimentações científicas que dão arrepios. Tem gemidos de homens e animais, que dão arrepios… Mais de cem anos depois de publicada, esta obra é considerada um dos clássicos da ficção científica.

Os livros que devoraram meu pai, do escritor português Afonso Cruz –Livrinho fininho, gostoso de ler. Vou dar uma copiada na resenha pra ganhar tempo: Vivaldo Bonfim é um escriturário entediado que, escondido de seu chefe, lê romances e clássicos da literatura durante o expediente, na repartição de finanças onde está empregado. Um dia, enquanto finge trabalhar, perde-se nas páginas de um livro e desaparece deste mundo. Esta é a sua história – contada em primeira pessoa por Elias Bonfim, seu filho, que recebe como herança a biblioteca de Vivaldo e, então, inicia uma aventura pelos grandes clássicos em busca de seu pai, percorrendo obras repletas de assassinos, paixões devastadoras, feras e outros perigos feitos de letras.

A Noite do meu Bem, de Ruy Castro – Quem disse a você que foi só a Bossa Nova que partiu daqui para encantar o mundo? Nada disso. Muito antes de João Gilberto, Tom e Vinícius, o samba-canção brasileiro já nos dava muito orgulho e projeção nacional. Ta tudo neste livro maravilhoso de Ruy Castro, que, no embalo de belíssimas canções, também conta uma boa parte da história de política e poder no Brasil. Naquela época já tinha jornalista que adorava uma boca-livre e pirangava uísque importado nas mesas dos granfas. Alguns vieram a se tornar o bam-bam-bam do colunismo social. Eu lí e fiz toda uma playlist no spotify a partir das citações das músicas neste livro. Ficou do car… como diz a meninada de hoje em dia.

Cultura geral – tudo o que se deve saber, de Dietrich Schwanitz – Absolutamente indispensável e mais que recomendado para quem deseja enriquecer seus conhecimentos sobre (como diz o título) cultura geral. Um bauzinho e tanto de conhecimentos: religião, música, pintura etc e tal. Cultura geral aborda episódios centrais da Bíblia; a emergência dos Estados e a epopéia da modernização, revoluções e democracia; a evolução da literatura, da arte e da música através de suas grandes obras; o desenvolvimento da ciência e da filosofia, o campo de batalha das ideologias, das cosmogonias e das teorias, aborda também a educação dada pelos livros, colégios e universidades, pelos jornais e foros de opiniões. Um quadro cronológico, uma breve relação dos livros que transformaram o mundo e conselhos de leitura aumentam a utilidade desta obra imprescindível.

 

Wellington Farias

PB Agora

Por Wellington Farias

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