O episódio aconteceu na manhã de sexta-feira (17). O repórter Plínio Almeida, da TV Cabo Branco, entrevistava no bairro do Bessa o secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do Tribunal Regional Eleitoral (TER), José Cassimiro. Uma pauta importante, de prestação de serviço à sociedade, que tratava sobre os prazos para a regularização do título eleitoral.

Tudo transcorria de forma tranquila, até que um casal que estava caminhando nas imediações passou próximo ao repórter e entrevistado. A jovem que acompanhava o rapaz nada falou. Porém, em atitude covarde, sem respeitar o colega que ali estava muito provavelmente desde as primeiras horas da manhã, em atitude canalha, desrespeitosa e de puro ódio o homem berrou a já tradicional “Globo Lixo!”.

Sem mostrar o rosto, pois estava de máscara, aquele ser continuou a caminhar. Um insulto covarde, não com a emissora, mas àquele que estava a realizar suas funções profissionais. Percebi que, de imediato, o entrevistado ficou atordoado, já que se tratava de uma matéria ao vivo. Não se pode prever se a ação de fúria ficaria no verbo, ou em ataque que colocasse e integridade física de Plínio Almeida, da equipe que o acompanhava e do próprio servidor do TRE que prestava os devidos esclarecimentos.

E esse caso, infelizmente, não é isolado, já que o presidente da República, Jair Bolsonaro, costuma dar esses “exemplos” de desrespeito aos profissionais de comunicação quase que diariamente, valendo-se do seu “ainda” cargo de chefe do Executivo federal; sem perceber ele, pois suas limitações de conhecimento são notórias, que a imprensa leva ao povo brasileiro a informação. Queira ele ou não.

E aqui não discuto ideologia política e, sim, o respeito profissional que não só os jornalistas merecem, mas todos aas mais variadas áreas profissionais. Do médico ao ambulante, do pedreiro ao engenheiro. Todas as profissões são dignas e essenciais para a construção de qualquer país.

E em dias de grande estresse, é compreensível, mas não justificável, a atitude daquele “caminhante” perdido no ódio. Por fim, ser jornalista no Brasil é uma profissão de risco em todos os ângulos. Estão nas ruas expostos a um possível contato com o Covid-19. Sujeitos a ataques físicos ou verbais, havendo um grau de ansiedade descomunal que prejudica a saúde de todos nós.

Eu, por exemplo, não sou repórter televisivo. Sempre fui ligado ao jornalismo impresso e migrei para o digital. Como a imensa maioria dos brasileiros estou trabalhando em casa. E digo: há dias que não consigo dormir por vários motivos, em especial a angústia, ansiedade e estresse.

Nós precisamos nos manter informados 24h por dia. Nos chegam fotos de cadáveres em decomposição, imagens de suicídio, relatos constantes de mortes diárias em função da pandemia do novo coronavírus e muitos outros assuntos que nos deixam extenuados mentalmente. Por isso, peço a você, leitor, que entenda: antes de ser alguém contratado por um veículo de comunicação, somos seres humanos. Temos família. Nos mantemos informados interruptamente para filtrar as notícias e levar com precisão a informação à sociedade.

Esse é o nosso papel. Preparamos-nos para tal ofício. Nos bancos da academia estudamos, e muito, para exercer tão nobre profissão. Tenho orgulho de ser jornalista, tenho orgulho dos meus colegas. Ao amigo Plínio Almeida minha solidariedade, ao entrevistado e telespectadores, desculpas pela má educação de uns poucos.

E a imprensa jamais será calada!

Eliabe Castor
PB Agora

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