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Opinião: Do “e daí?” a “o choro é livre”

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Ontem, 24 de março de 2021, o Brasil atingiu a triste marca de 300 mil mortos por Covid-19. Além da crise de saúde pública, a pandemia de coronavírus trouxe à tona uma profunda crise socioeconômica. O auxílio emergencial do ano passado e as medidas de socorro a pequenos e médios comerciantes pararam de ser implementadas. A pobreza e a extrema miséria se alastraram ainda mais. Enquanto isso, vivemos no pior cenário da pandemia. A saúde pública e a economia vão, neste momento, de mal a pior.

Nada é tão trágico que não possa piorar. Há alguns meses, o presidente da República, em meio à pandemia, perguntava: “e daí?”. Recentemente, a âncora de um importante jornal televisivo do país declarou: “o choro é livre”. Essas frases podem até parecer antagônicas, porém são duas faces da mesma moeda: a desumanização devido ao estreitamento ideológico.

Aquele que perguntava “e daí?” se dizia defensor da economia enquanto sabotava as medidas de combate à pandemia e politizava a vacinação. Aquela que dizia “o choro é livre” em nome da defesa da saúde pública relativizava o sofrimento socioeconômico de pequenos e médios comerciantes do país, como também dos pais de família que trabalham hoje para comer amanhã.

A ideologia política tem uma capacidade peculiar: é uma narrativa que identifica um elemento importante da vida humana a ser defendido enquanto relativiza os outros. A politização de uma pandemia e de suas consequentes crises desumaniza e estreita a visão humana. Torna-se quase impossível se colocar no lugar do outro e ter uma visão mais abrangente sobre os problemas pelos quais passamos. O sofrimento do outro torna-se objeto de desdém.

E o estreitamento ideológico tem ainda outro poder nefasto: torna os seguidores de seus líderes pessoas desumanizadas que só querem ganhar o debate e estar por cima. É a “política da lacração”, isto é, ganha quem tem mais argumentos para zombar do inimigo. A ideologia cega e cria muros, inclusive em meio à pandemia. É fácil identificar como o oponente está errado, contudo é difícil encontrar em si a própria desumanidade.

A pandemia reforçou uma tendência de muito tempo: a política se tornou luta por construir muros mais altos e mais desumanos. O “e daí?” e “o choro é livre” são expressões de desumanização. São duas faces da mesma moeda. São 300 mil mortos e uma crise econômica profunda. E daí? O choro não pode continuar a ser livre.

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