Nesta segunda-feira (18), a Assembleia Legislativa da Paraíba, por iniciativa do seu presidente, o deputado Adriano Galdino, resgata uma dívida histórica com o ex-arcebispo metropolitano Dom José Maria Pires. Mais que isso: a partir de então, esta comenda estará ainda mais valorizada, o que, por si só, vem demonstrar a grandeza do homenageado.

Um registro oportuno: há décadas, a mesma Assembleia havia outorgado a cidadania ao mineiro (de Córregos) Dom José Maria Pires, desta vez por iniciativa do então deputado estadual Chico Souto. A distinção jamais foi entregue, sobretudo porque o homenageado se recusou a submeter à censura prévia o discurso que faria na solenidade. Na época da ditadura militar, era assim que funcionava. E Dom Pelé – como carinhosamente se chamava o homenageado de cor negra – era tido como uma figura “perigosa”, pelos seus ideais totalmente alinhados com o pensamento da esquerda e por seguir os ideais da Teologia da Libertação.

Se vivo estivesse, Dom José teria completado 100 anos de idade em 2019. Ele faleceu em 2017. Trinta destes longos anos ele dedicou ao Estado da Paraíba, à frente da Igreja Católica. Uma igreja, diga-se de passagem, mais preocupada com os pobres e os desvalidos de toda ordem.

A Cantata e os estudantes

Na Paraíba, Dom José Também foi parceiro de uma obra intitulada “Cantata Para Alagamar”. O curioso: esta peça foi composta por um cristão, um judeu e um ateu, coincidentemente todos chamados de José: José Maria Pires (o mineiro cristão), Waldemar José Solha (o paulista ateu) e José Alberto Kaplan (o argentino judeu). A cantata teve como única inspiração a luta dos camponeses que então viviam ameaçados expulsão das terras de Alagamar, nos anos 70.

A propósito de Cantata: que em meio a esta luta em favor dos ameaçados de expulsão das terras onde viviam, o então arcebispo metropolitano da Paraíba, Dom José Maria Pires, numa noite de natal transferiu a tradicional Missa do Galo, da Catedral Metropolitana para a Praça João Pessoa, circundada pelos Três Poderes. Ali, junto e misturado com os camponeses e suas famílias que estavam acampados sobre os canteiros, fez a histórica celebração.

Teologia da Libertação

Dom José era seguidor da Teologia da Libertação. A propósito, foi por inspiração dele que se fundou, na Paraíba, o primeiro Centro de Defesa dos Direitos Humanos, no Brasil. Na verdade, se chamava Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Arquidiocese da Paraíba (CDDH). Foi fundado em 1975 e era coordenado pelo advogado Wanderley Caixe. Operava como órgão auxiliar na missão evangelizadora da Arquidiocese. Em função da aposentaria de Dom Pelé, em 1996, esta instituição passou a se chamar Fundação de Defesa dos Direitos Humanos Margarida Maria Alves (FDDHMMA).

Expondo-se ao AI-5

No conturbado ano de 1968, quando o regime militar brasileiro endureceu o jogo, editando o famigerado Ato Institucional n 5 (AI-5), Dom José saiu às ruas para oferecer apoio público aos estudantes que faziam passeatas e outros tipos de manifestações contra o governo.

Outro importante momento de que Dom José Maria Pires participou foi a Missa dos Quilombos, na cidade do Recife, em que também estavam em cena Dom Hélder, Dom Pedro Casaldáliga, além do cantor e seu conterrâneo Milton Nascimento.

Metropolitano

Outra grande homenagem prestada a Dom José Maria Pires partiu do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB). No exercício do governo, ele batizou com o nome do homenageado o Hospital Metropolitano, com sede em Santa Rita.

Alinhado com o pensamento socialista, Ricardo Coutinho era grande admirador da pessoa e das ações de Dom Pelé.

Viva Dom José Maria Pires!!

A ele todas as honras possíveis.

PS: Quem receberá o título outorgado a Dom José, será o bispo Dom Delson.

 

Wellington Farias

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