Por Eliabe Castor

Então vamos lá! Mas com certo fastio para a escrita, pois acordei cedo, bem cedinho. Liguei a TV para saber os últimos acontecimentos no Brasil e no mundo. Minha companheira dormia. Não desejava acordá-la, afinal estava ela exausta, pois chegara de viagem no dia anterior.

Deixei-a no seu sono de Branca de Neve ou coisa do tipo, enquanto acordava no bilionésimo dia da mais pura falta de convívio social. Melhor dizendo: na falta daqueles que são peças chaves da nossa engrenagem para sobreviver. O coleguismo e a amizade.

Havia, no dia anterior, escrito sobre os perigos de flexibilizar a economia em Cabedelo e Campinha Grande, pois sou contra, em dias de hoje. E se assim sou, tudo está baseado em números, escalas, percentuais e dados. Mas não vou entrar no mérito. O artigo está na “bio” do Instagram e na colona do portal de notícias PB Agora, local online que escrevo diariamente.

Mas o que me chocou, de verdade, foi a morte prematura do amigo e colega Adelson Barbosa. É certo: trabalhei com ele na década de 90 no Correio da Paraíba. E naquele jeitão abusado residia, no interior, alguém especial.

Como (foca), leia-se estreante nas redações, ia ou vinha Adelson Barbosa retirar minhas dúvidas. Nunca entendi sua preocupação. Acho que era meu semblante de desespero.

Ele, jornalista experiente no caderno de Política, e eu buscando entender o cotidiano, suas mortes naturais, assassinatos, partos bem sucedidos, uma tartaruga resgatada com vida em Intermares ou coisas do tipo no caderno de Cidades. Tudo para mim era novidade e desespero.

Era assim naquela época. Um ajudava o outro. Dois ou três telefones convencionais para a maior redação impressa da Paraíba. E aí eu me via no meio daqueles expoentes do jornalismo. Eu também tinha um crachá, como Adelson. Passei a ser parte da tribo. Do grupo seleto. Assim funcionava minha mente naqueles vinte poucos anos.

Tinha eu meu cartão de ponto. Nada digital. Tudo analógico. Colocava-o numa máquina e ela furava a peça mostrando data e hora de quando entrava e saí da redação. E tal redação essa sempre estava ocupada por Adelson Barbosa.

Não sei como ele fazia aquilo. Às vezes suspeitava que ele tivesse um irmão gêmeo. Um saía outro assumia a escrita. Essa era minha “desconfiança”. Mas ontem foi mais um amigo e colega de redação que partiu. Era Adelson e não havia irmão clone dele.

Na verdade, vou sentir e já estou sentindo sua falta. Nossa última conversa foi há seis meses, ou quase isso. Estava eu e Marcela Sitônio em um projeto. Lembramos do seu nome. Quem mais poderia fazer uma matéria especial em dias de hoje que não fosse Adelson? Um texto irretocável e cheio de detalhes?

Eu realmente não sabia de forma completa o problema da saúde dele. Nunca perguntei. Sou discreto. Não pergunto por ninguém, ainda mais nessa fase da vida que vou entrar nos 50 anos. Entendia que ele estava de licença do Correio, pois teve problemas cardíacos. E só! Para mim bastava.

Mas retornando a nossa última conversa, indaguei se ele estava a fim de participar do projeto. De pronto disse que sim, e dispunha de farto material para escrever boas reportagens. Tudo foi combinado, mas infelizmente a “aventura” foi barrada pelo empreendedor.

Mas fica aqui, na memória, sua felicidade. Falava ele que na Serra de Teixeira havia um bioma que só ali existia. Conversávamos sobre política e sua própria saúde, sem muitos detalhes. Da sua paixão similar a minha pela a história da humanidade e outras amenidades.

Ainda o tenho no zap. Vez ou outra mandava um artigo. Ele respondia de forma polida e ensinava o que deveria ou não mudar. Era um bom professor, um mestre e, nessa escala do tempo, recordo de uma entrevista que fizemos com ele no extinto Departamento de Comunicação (Decom) da UFPB no início da década de 90.

Era para o jornal interno do curso. À frente, o mestre Carmélio Reynaldo como professor da disciplina. Não lembro bem a pauta, mas presumo que era algo sobre Dom Marcelo Pinto Carvalheira e o movimento progressista da Igreja Católica.

Agora sei que Adelson não está mais entre nós. Não haverá mais diálogos neste plano físico. Mas conhecendo sua índole, tenho certeza que sua passagem para o plano espiritual foi tranquila e sua estada conosco foi concluída.

No mais, saudades, um grande agradecimento por ensinar-me os primeiros passos do ofício e o que costumo dizer sem hesitação aos que “partem: dia desses a gente se vê!

Só um lamento: nosso projeto não deu certo, e peço desculpas. Mas você entende, não é? E olha: você e outros que já partiram continuam no meu WhatsApp como uma forma de carinho. Deletá-los seria injusto.

Abraço e fico feliz de não mais sentires dor! Restam-me as boas lembranças, como para os demais amigos, colegas e familiares. Agora é hora de ir, amigo! Vai escrever noutros mundos e mostrar sua bondade e talento.

Eliabe Castor

PB Agora

Por Eliabe Castor

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