João Campos entrou na disputa pelo Governo de Pernambuco como um dos nomes de maior projeção da nova geração da política brasileira. Jovem, carismático, herdeiro de um forte legado político e aliado do presidente Lula, o ex-prefeito do Recife parecia reunir ingredientes suficientes para largar com vantagem. Mas eleição se decide nas urnas e, antes delas, as pesquisas começam a revelar os humores do eleitorado.
Nos levantamentos mais recentes, quem vem ganhando terreno é a atual governadora Raquel Lyra, candidata à reeleição. A Quaest, divulgada em 25 de agosto, por exemplo, colocou Raquel com 44%, contra 36% de João Campos. Outros institutos também registraram vantagem da governadora, embora haja pesquisas apontando uma disputa mais equilibrada.
João Campos já utilizou uma frase forte no embate político: “Bolsonarista aqui não se cria.” Entretanto, o cenário eleitoral pernambucano parece ser bem mais complexo do que uma simples divisão entre lulistas e bolsonaristas.
Pernambuco continua sendo um dos estados onde o presidente Lula desfruta de expressiva força eleitoral. João Campos procura naturalmente capitalizar essa proximidade. Raquel Lyra, porém, parece ter entendido que, numa eleição estadual, pode ser perigoso fechar portas para qualquer grande segmento do eleitorado.
A governadora mantém uma relação institucional e politicamente cuidadosa com Lula, mas, ao mesmo tempo, evita transformar a eleição estadual numa guerra ideológica nacional. Essa postura lhe permite transitar por diferentes grupos e buscar votos muito além de uma única corrente política.
E há um dado especialmente interessante: pesquisas recentes mostram Raquel Lyra com forte vantagem entre os eleitores identificados com o bolsonarismo, enquanto João Campos concentra maior preferência entre os eleitores ligados ao campo petista. Isso demonstra que a governadora tenta construir uma candidatura capaz de conversar com diferentes lados do espectro político.
No interior pernambucano, onde as alianças municipais e as lideranças regionais possuem enorme peso, essa estratégia pode fazer ainda mais diferença. Raquel procura somar apoios sem necessariamente vestir uma única camisa na disputa presidencial.
João Campos, portanto, enfrenta um desafio que talvez seja maior do que imaginava: transformar sua popularidade, seu sobrenome e sua proximidade com Lula em votos suficientes para derrotar uma governadora que disputa a reeleição e que procura ampliar suas pontes políticas.
Ainda há campanha pela frente, e pesquisa eleitoral é fotografia do momento, não resultado de eleição. Mas uma coisa já parece evidente: Pernambuco terá uma das disputas estaduais mais interessantes de 2026.
Como diz o velho ditado: é preciso saber viver e, na política, também é preciso saber somar.
Elcio Nunes
Cidadão Brasileiro
