Os primeiros passos do homem mais alto do Brasil após receber duas próteses sob medida. O caririzeiro Joelison Fernandes da Silva, conhecido como Ninão, retornou a sua terra natal, município de Assunção, no Cariri paraibano, após receber duas próteses sob medida. Ele está se adaptando às novas próteses.
Nesta segunda-feira (02), Ninão gravou um vídeo contando como está sendo a sua nova rotina e a adaptação com os equipamentos. Ninão relatou que a adaptação requer esforço e força de vontade, mas ele está firme e confiante de que em breve, estará totalmente adaptado.
Com 2,37 metros de altura, Joelison Fernandes da Silva, de 41 anos, perdeu as duas pernas após complicações de saúde e agora tenta recuperar a autonomia.
O Fantástico acompanhou os primeiros passos do paraibano com os novos equipamentos, criados especialmente para suportar seu tamanho e peso. A adaptação marca uma nova etapa do processo de reabilitação.
A altura de Ninão sempre exigiu adaptações na rotina. Em casa, por exemplo, a cama precisou ser modificada para acomodar suas pernas. Sapatos também precisam ser feitos sob encomenda.

Ninão conta que teve uma infância tranquila até os 8 anos, quando começou a crescer rapidamente. Sua mãe, Divanilda Fernandes da Silva, percebeu que havia algo diferente quando o filho ultrapassou a altura do irmão mais velho.
Aos 21 anos, já media 2,29 m. Mais tarde, decidiu fazer a operação, mas cresceu outros 8 centímetros. Chegou a 2,37 metros e passou a ser reconhecido como o homem mais alto do Brasil.
O excesso do hormônio do crescimento também pode provocar resistência à insulina. Ninão ficou diabético e teve uma infecção grave no osso de uma das pernas.
A primeira amputação ocorreu em 2021. No ano seguinte, ele já conseguia dar alguns passos com uma prótese recebida de uma clínica em João Pessoa.
Em 2024, porém, a mesma infecção atingiu a outra perna. Ninão precisou passar por uma nova amputação e ficou sem as duas pernas.
Diante das dificuldades para encontrar equipamentos adequados ao seu tamanho e peso, Ninão iniciou uma campanha nas redes sociais em busca de ajuda. O pedido chegou a uma clínica especializada de Sorocaba, no interior de São Paulo, que decidiu desenvolver próteses personalizadas para ele.
Com aproximadamente 185 quilos, o caririzeiro precisava de equipamentos reforçados, capazes de oferecer resistência, equilíbrio e segurança durante a caminhada.
O processo de fabricação envolveu moldes personalizados, produção manual e testes de resistência.
Os testes foram realizados na Rússia por uma empresa também especializada em próteses. Segundo o representante Dmitry Nizamov, os pés foram testados para suportar até 700 quilos.
Cada prótese pesa cerca de seis quilos. Os pés têm 38 centímetros de comprimento e correspondem à numeração 60. A estrutura também foi reforçada para aumentar a resistência.
O encaixe utiliza inicialmente um molde de acrílico transparente, que depois será substituído por fibra de carbono. A capa de borracha tem os dedos separados, o que permite usar sandálias e chinelos.
Quando experimentou as próteses, Ninão disse que o encaixe estava confortável. Com a ajuda dos profissionais, começou a treinar o equilíbrio e a caminhar entre barras paralelas.
Durante a reabilitação, ele treinou com pesos e obstáculos. Também fez exercícios com uma bola e chegou a tentar embaixadinhas enquanto se apoiava nas barras paralelas.
Depois do treino, Ninão comemorou o avanço. Disse que conseguir dar algumas passadas já era motivo de alegria e contou que pretende voltar a praticar esportes adaptados.
Entre 2022 e 2024, ele integrou a Seleção Brasileira da modalidade. Agora, espera retomar a atividade depois de recuperar a mobilidade. Agora o sonho de Ninão é retornar aos esportes e a Seleção Brasileira.
PB Agora
