Carnaval pede fantasias, pinturas e muito brilho nas roupas e no corpo. Mas esses adereços podem deixar graves consequências para o meio ambiente, caso o folião faça o descarte inadequado desses materiais. Glitter, purpurina, maquiagens e plásticos, quando não fabricados com componentes biodegradáveis, podem significar um aumento exponencial de poluição ambiental. Sem contar no lixo gerado nessas festas, que jogado irregularmente nas pias e vasos sanitários, pode obstruir as redes de esgoto. Por mês, a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) recolhe uma média de 6,5 toneladas de entulhos nas tubulações da Região Metropolitana da Capital.

A química da Cagepa, Michele Mendonça, explica que o problema do glitter, purpurina e lantejoulas está na sua matéria-prima: a maioria é produzida a partir de placas de PET ou PVC, metalizadas com alumínio e, depois, tingidas com cores diferentes. Quando se lava o corpo ou rosto coberto do produto, este escorre pelo ralo, mas é pequeno demais para ser filtrado no sistema de tratamento de esgoto. Desta forma, o plástico acaba chegando aos rios e mares. “Por isso, é importante fazer a escolha por produtos biodegradáveis, que já são encontrados atualmente com mais facilidade e com preço acessível”, observou.

No entanto, é nas festas em vias públicas que se acumula um problema antigo e que causa muitos transtornos à própria população: o lixo descartado nas ruas. “Assim como qualquer outro evento de grande porte, o Carnaval gera uma grande quantidade de lixo nas ruas. Confete, serpentina, descartáveis, latas, dentre outros entulhos que são jogados na rua podem chegar às galerias pluviais e redes de esgotos, deixando essas tubulações entupidas. A população precisa entender que essa obstrução retorna em prejuízo para todos nós, porque as vias ficam vulneráveis aos riscos de alagamentos e vazamentos de esgotos constantes”, explicou.

De acordo com o engenheiro Ricardo César, da Subgerência de Manutenção de Esgotos do Litoral, além de produtos pequenos, os agentes de manutenção da Cagepa encontram, corriqueiramente, entulho de material de construção, pneus, colchões, garrafas plásticas e carcaças de material eletrônico dentro dos canos da Grande João Pessoa. “Calculamos em torno de 2,5 toneladas de lixo recolhidos nas Estações Elevatórias de Esgoto e quatro toneladas nas redes de esgoto. É um número absurdo e a limpeza, muitas vezes, precisa ser diária. O pior é que os entulhos acabam por queimar as bombas e danificar equipamentos da estação de tratamento. No fim das contas, é só uma questão de educação. Porque a conduta errada de uma pessoa acaba prejudicando dezenas de famílias”, pontuou o engenheiro.

Dicas para um Carnaval ecologicamente correto:
– Produtos como glitter, lantejoulas, maquiagens e plásticos podem chegar aos mananciais e poluir o meio ambiente. Por isso, prefira produtos sustentáveis, fabricados com componentes biodegradáveis.

– No bloco, nas ladeiras ou atrás do trio elétrico, descarte os materiais sólidos nas lixeiras, respeitando o processo de coleta seletiva.

– Nada de jogar lixo nas pias ou vasos sanitários. Os entulhos acabam entrando indevidamente na rede de coleta de esgoto e entupindo as tubulações.
PB Agora

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