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Dança das Cadeiras: quando a política muda de rosto, mas não de essência!

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Este não é um fenômeno isolado. Ele se repete em várias regiões do Brasil e, por que não dizer, do mundo. Ainda assim, hoje me detenho em dois cenários que, por diferentes proporções, refletem uma mesma realidade inquietante: o estado do Rio de Janeiro e a cidade de Cabedelo, na Paraíba.

De um lado, o Rio, com seus cerca de 17 milhões de habitantes. Do outro, Cabedelo, com aproximadamente 70 mil. Distantes em tamanho, mas surpreendentemente próximos quando o assunto é instabilidade política.

Nos últimos 15 anos, assistimos a um ciclo preocupante: governadores e prefeitos que chegam ao poder sob aplausos e, pouco tempo depois, deixam seus cargos de forma abrupta muitos deles envolvidos em escândalos que frustram e ferem a confiança popular. Não por acaso, nesse mesmo período, cerca de cinco governadores do Rio de Janeiro e cinco prefeitos de Cabedelo foram destituídos de seus postos, um dado que, por si só, revela a gravidade da situação.

A vitória ainda ecoa na voz do eleitor quando, de repente, dá lugar à decepção.

Não me cabe aqui generalizar ou afirmar que falta consciência ao eleitor seria injusto e simplista. O que digo, com pesar, é que tanto o Rio de Janeiro quanto Cabedelo têm submetido seus cidadãos a sucessivas surpresas desagradáveis, criando um ambiente de descrédito e desgaste.

Esse cenário me remete a uma antiga e ainda atual sátira do cinema: o filme Su Excelencia, protagonizado pelo comediante mexicano Cantinflas. Na obra, a troca constante de embaixadores gera confusão e expõe o absurdo de um sistema político sem consistência. O humor, ali, é apenas a moldura de uma crítica profunda: a fragilidade das estruturas de poder.

Infelizmente, o que era sátira parece, hoje, retrato. A justiça atua, afasta, pune e isso é necessário. Mas, não raro, novos personagens surgem repetindo práticas antigas, como se estivéssemos presos a um ciclo vicioso.

Diante disso, resta-nos uma responsabilidade intransferível: escolher melhor. Conhecer mais. Avaliar com mais rigor. As eleições de 4 de outubro de 2026 se aproximam, e o voto continua sendo nossa ferramenta mais poderosa ou nosso maior risco, se mal utilizado.

Que não sejamos apenas espectadores dessa dança. Que sejamos agentes de mudança.

Elcio Nunes
Cidadão Brasileiro

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