A Paraíba o tempo todo  |

CRMV na Paraíba alerta para riscos às corujas e destaca ameaças provocadas por crenças populares e ações humanas

 Com olhos grandes, hábitos predominantemente noturnos e um canto que desperta curiosidade, as corujas fazem parte do imaginário popular há gerações. Em algumas culturas, são associadas à sabedoria. Em outras, determinadas espécies são relacionadas a presságios negativos e até à morte. Na época do Halloween, essas crenças ganham ainda mais espaço, reforçando a imagem misteriosa dessas aves. Por trás dessas histórias, porém, estão animais silvestres fundamentais para o equilíbrio ambiental e que também precisam ser protegidos nas cidades.

Algumas espécies de corujas conseguem ocupar ambientes modificados pela ação humana, como áreas urbanas e periurbanas. Parques, terrenos com vegetação, áreas abertas, construções antigas e espaços próximos a remanescentes naturais podem oferecer abrigo e alimento. Essa adaptação favorece a presença dessas aves perto das pessoas, mas não significa que sejam animais domésticos ou devam ser atraídas para perto das residências. 

Para orientar a população sobre a convivência com esses animais, o Conselho Regional de Medicina Veterinária da Paraíba (CRMV-PB) e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Sustentabilidade da Paraíba (Semas) destacam, na série Bichos Urbanos, a importância de conhecer as corujas, respeitar seus hábitos e evitar atitudes que possam colocar sua vida em risco.

Entre as espécies que podem ser encontradas em ambientes urbanos e periurbanos brasileiros estão a coruja-buraqueira (Athene cunicularia), a suindara (Tyto furcata), a corujinha-do-mato (Megascops choliba) e o caburé (Glaucidium brasilianum). A ocorrência de cada uma varia conforme as características do ambiente e a disponibilidade de alimento e abrigo.

Segundo a médica-veterinária Lilian Eloy, que atua com animais silvestres, a presença dessas aves perto das pessoas não significa que estejam adaptadas ao contato direto. A observação deve acontecer à distância, sem tentativas de aproximação, captura ou alimentação. 

“Em geral, as corujas não representam uma ameaça para as pessoas quando são observadas sem interferência. São aves de rapina que utilizam suas garras e o bico para capturar presas, como insetos, pequenos roedores e outros animais, de acordo com a espécie. Entretanto, podem apresentar comportamento defensivo quando se sentem ameaçadas, principalmente durante a reprodução ou quando há filhotes por perto. A coruja-buraqueira, por exemplo, pode realizar voos rasantes em direção a quem se aproxima demais do ninho. Esse comportamento é uma tentativa de afastar o possível invasor, e não significa necessariamente que a ave queira atacar uma pessoa”, explicou a médica-veterinária.

O gerente executivo de Fauna Silvestre da Semas, Juan Mendonça, destaca a importância de respeitar o espaço desses animais e manter distância, não tentar tocar nas aves e afastar crianças e animais domésticos da área. “Cães e gatos também podem representar uma ameaça para as corujas, especialmente para filhotes que ainda não conseguem voar com segurança. Por isso, ao identificar um ninho em um terreno ou jardim, o ideal é evitar a circulação de animais domésticos nas proximidades”, orientou.

Equilíbrio ambiental – Além de fazerem parte da biodiversidade, as corujas desempenham uma função importante no controle natural de populações de pequenos animais. Espécies como a suindara consomem roedores, enquanto a coruja-buraqueira inclui insetos e pequenos vertebrados em sua alimentação.

“Essa função contribui para o equilíbrio das cadeias alimentares e reforça a importância de conservar essas aves nos ambientes urbanos. A perda de áreas naturais, a destruição de ninhos, os atropelamentos e os ataques de animais domésticos estão entre os fatores que podem comprometer sua sobrevivência”, explicou Juan Mendonça.

O que fazer ao encontrar uma coruja? Ao encontrar uma coruja, a primeira recomendação é observar o animal à distância e não interferir em seu comportamento. Caso seja encontrada ferida, debilitada ou aparentemente incapaz de voar, a orientação é evitar o contato direto e acionar o Batalhão de Polícia Ambiental da Paraíba, pelo telefone 190, para que a ocorrência seja encaminhada às equipes responsáveis pelo resgate. Quando necessário, o animal será destinado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) onde poderá receber avaliação veterinária, tratamento e reabilitação. Após a recuperação, a prioridade é a soltura em seu ambiente natural, desde que apresente condições de sobrevivência. Não se deve tentar capturar, alimentar ou oferecer água ao animal por conta própria. 

Legislação – Para preservar as corujas nas cidades, a população pode contribuir evitando a destruição de ninhos, mantendo cães e gatos afastados das aves, respeitando as áreas verdes e denunciando situações de maus-tratos. A Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998) prevê detenção de seis meses a um ano e multa para quem matar, perseguir, caçar ou capturar animais silvestres sem autorização. Na Paraíba, o Decreto Estadual nº 44.889, de 26 de março de 2024, também estabelece sanções administrativas para essas condutas. O artigo 26 prevê multa para quem matar, perseguir, caçar, apanhar ou coletar espécimes da fauna silvestre sem autorização, além de penalidades para a destruição de ninhos, abrigos e criadouros naturais. A destruição de ninhos e abrigos também pode configurar crime ambiental.

Redação com CRMV/PB

    VEJA TAMBÉM

    Comunicar Erros!

    Preencha o formulário para comunicar à Redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta matéria do PBAgora.

      Total
      0
      Compartilhe