Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, e Luiz Inácio Lula da Silva, atual presidente da República e também provável candidato à reeleição pelo PT, disputam espaço junto ao eleitorado brasileiro tentando demonstrar quem possui maior proximidade com o presidente norte-americano Donald Trump.
Dois encontros recentes na Casa Branca colocaram ambos frente a frente, em momentos distintos, com o atual ocupante da presidência dos Estados Unidos. Sobre o conteúdo exato das conversas, pouco se sabe oficialmente. Trump é conhecido por seu estilo imprevisível e, ao mesmo tempo, por agir em estreita sintonia com sua equipe de assessores e estrategistas.
Até o momento, a decisão mais concreta envolvendo o Brasil foi o reconhecimento do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas por parte do governo americano. Entretanto, é pouco provável que essa medida tenha sido resultado direto da visita de Flávio Bolsonaro. Tudo indica que a decisão já vinha sendo analisada e amadurecida há bastante tempo dentro das estruturas governamentais dos Estados Unidos.
Se Flávio abordou o tema durante seu encontro com Trump, no máximo pode ter reforçado uma preocupação já existente. Segundo relatos divulgados pela imprensa, o próprio presidente americano teria mencionado que a questão já estava em sua mesa aguardando apenas a formalização da decisão. Por essa razão, dificilmente os méritos dessa medida poderão ser atribuídos exclusivamente ao senador brasileiro.
O Comando Vermelho (CV) surgiu em 1979, dentro do sistema prisional do Rio de Janeiro. Já o Primeiro Comando da Capital (PCC) nasceu em 31 de agosto de 1993, em um presídio do Estado de São Paulo. Embora o CV seja mais antigo, ambas as organizações cresceram ao longo das décadas, ampliando sua influência para muito além dos muros das prisões.
O que começou de forma relativamente limitada transformou-se em uma complexa rede criminosa com conexões em diversos países da América Latina e em outras regiões do mundo. O tráfico internacional de drogas, o contrabando de armas, a lavagem de dinheiro e outras atividades ilícitas passaram a movimentar recursos bilionários, alcançando diversos setores da sociedade e do sistema financeiro internacional.
A pergunta que muitos fazem é: por que setores da esquerda brasileira se opõem à classificação desses grupos como organizações terroristas? Para alguns, a discussão envolve questões de soberania nacional e competências jurídicas. Para outros, a gravidade e o alcance dessas organizações justificariam medidas mais duras e uma cooperação internacional mais ampla no combate ao crime organizado.
A partir de 5 de junho, uma nova fase da política americana relacionada a esse tema deverá entrar em vigor. Quais serão seus desdobramentos para o Brasil e para a América Latina, somente o tempo dirá.
Elcio Nunes
Cidadão Brasileiro