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Tribunal francês abre investigação contra Lagarde

Um tribunal francês abriu investigação nesta quinta-feira (4) sobre a atuação da diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, em um acordo milionário para fechar uma batalha judicial quando era ministra das Finanças da França.

A recomendação de iniciar uma investigação foi feita pela Corte de Justiça da República (CJR), única instância habilitada na França a julgar ministros e ex-ministros por fatos cometidos no exercício de suas funções. A investigação envolve decisões tomadas por Christine Lagarde quando era ministra das Finanças da França.

A comissão de investigações da CJR emitiu "um parecer favorável a uma medida de instrução relativa a Lagarde", declarou aos jornalistas seu presidente Gérard Palisse.

A CJR deveria ter apresentado a sua decisão em 8 de julho, mas adiou seu veredicto em um mês por "razões de procedimento".

A Corte de Justiça da República, foro especial para ministros, anunciou a decisão após uma reunião de várias horas, na qual examinou os resultados de um inquérito preliminar feito por um painel do Judiciário.

Lagarde, que substituiu Dominique Strauss-Kahn na chefia do FMI em julho, negou qualquer desvio de conduta ao ter aprovado o pagamento de 285 milhões de euros de fundos públicos a Bernard Tapie para encerrar uma longa disputa legal com um antigo banco estatal.

Na ocasião, havia o litígio de negócios entre o empresário Bernard Tapie e uma instituição pública que administrava os ativos podres do banco Crédit Lyonnais, salvo da falência nos anos 1990 pelo Estado francês.

A ex-ministra das Finanças assumiu o cargo após a renúncia de Dominique Strauss-Khan, que chegou a ser preso em Nova York acusado de abuso sexual contra a funcionária de um hotel. Ele foi solto na semana passada após a promotoria reconhecer que a camareira pode ter mentido.

O advogado de Lagarde, Yves Repiquet, afirmou em comunicado que a investigação não deve afetar as funções dela no comando do FMI.

Esse procedimento não é de maneira alguma incompatível com as funções atuais da diretora-gerente do FMI’, disse Repiquet em comunicado enviado por e-mail depois do anúncio do tribunal.

No dia 10 de maio que o Ministério Público recorreu a esta Corte.

Para pôr fim a longos procedimentos e resolver de uma vez por todas essa velha disputa relacionada à venda pelo Crédit Lyonnais do grupo Adidas, ex-propriedade do empresário, Christine Lagarde escolheu uma justiça arbitral, ou seja, uma justiça particular.

O julgamento feito em 2008 por essa instância foi favorável a Bernard Tapie.

G1

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