Os EUA taxaram, de novo, o Brasil. Não tem um justo sequer nessa história. Vejamos:
1) O Brasil é, sim, um país muito protecionista que cria barreiras e vantagens para sua indústria nacional em detrimento de produtos importados mais baratos e eficientes. A tarifa é uma punição, baseada na seção 301 da Lei de Comércio americana, a essa cultura de fechamento de mercado.
2) Trump está destruindo a era Reagan de livre mercado que enriqueceu o mundo após a Segunda Guerra. Sua visão de economia é estreita: trocas comerciais são jogos de soma zero, logo explorar os outros beneficia os EUA. Pensamento estreito e empobrecedor. Reagan sentiria vergonha!
3) Talvez Lula poderia ter negociado prometendo mais abertura de mercado e terras raras. Talvez ter barganhado alguma coisa poderia ter diminuído o colonialismo trumpista. Por outro lado, Lula está certo ao não negociar o Pix. Nesse ponto, o país não pode ceder.
4) Se, por um lado, é verdade que os Bolsonaros não causaram o atual tarifaço, por outro, é verdade que a postura dos Bolsonaros tem sido historicamente de entreguismo e subserviência. Ano passado comemoraram o tarifaço e mostraram que estavam dispostos a sacrificar o país. Devido ao efeito contrário, realinharam o discurso por oportunismo.
A verdade é que o Brasil está em uma encruzilhada nesse novo mundo cada vez mais fechado. O governo brasileiro não pode dobrar a aposta com uma atitude de reciprocidade. Esse erro pode ser muito mais custoso. Não tem um santo sequer nessa história. Trump quer subserviência irrestrita e Lula e Flávio querem a eleição. E o povo paga a conta.
Anderson Paz
