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Retrocesso do retrocesso

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Na terça-feira, 15 de dezembro, a Boeing pôs no ar o revolucionário avião 787 Dreamliner. Com capacidade para 250 passageiros, 57 metros de comprimento, é o primeiro avião comercial a ser construído essencialmente com plástico à base de carbono e titânio, abrindo uma nova era na construção de aviões. O primeiro voo teste se deu com dois anos de atraso face ao calendário previsto pela Boeing, que não lançava um novo avião há 15 anos.

Em dezembro de 1997, na cidade de Kyoto, Japão, foi realizada uma conferência internacional sobre o clima, que culminou na decisão de adotar-se um Protocolo segundo o qual os países industrializados reduziriam suas emissões dos gases causadores do efeito estufa em 5%, em comparação com os níveis de 1990, que ficou conhecido como Protocolo de Kyoto. Desde sua assinatura várias reuniões têm sido realizadas na tentativa de retirar o documento do papel e transformá-lo em realidade, mas até agora frustradas.

Imagino a frustração dos engenheiros e todos os demais integrantes da Boeing diante do atraso para o voo inaugural, ao mesmo tempo, tenho a certeza da alegria e satisfação com o desfecho do empreendimento.

No entanto, após 12 anos da Conferência de Kyoto, o final foi diferente. Em Compenhague na Dinamarca, no mesmo período que acontecera o voo do 787, a única coisa que decolou para bem alto foi a esperança de todos os que se preocupam com as mudanças climáticas e seus impactos no planeta.
O ápice do absurdo aconteceu na terça-feira, quando um documento proposto pela Dinamarca, provocou polêmica. O texto não levava em conta o ponto de vista dos países em desenvolvimento.

O jornal inglês "The Guardian", que teve acesso ao documento, noticiou que a proposta tiraria poder da ONU em futuras negociações sobre a mudança climática, que seriam lideradas pelo Banco Mundial. Além disso, permitiria que a emissão de carbono per capita fosse duas vezes maior em países desenvolvidos que em desenvolvimento.

O "The Guardian" noticiou, ainda, citando como fonte diplomatas que não quiseram se identificar, que líderes de países em desenvolvimento reagiram "furiosamente" ao texto dinamarquês.

O “Acordo de Compenhague” não tem nem duas páginas e meia, nem força legal, retrocesso do retrocesso. A falta de bom senso causou frustração, que perdurará até que alguma catástrofe climática recaia sobre os países indiferentes e irresponsáveis com o meio ambiente.

No filme 2012, que discorre sobre um cataclismo planetário de proporções épicas, o Presidente Thomas Wilson (Danny Glover), afro descendente, opta por permanecer em Washington para enfrentar o mundo diante da ocorrência destes desastres, um verdadeiro “herói”. Por sua vez, a posição de Obama foi criticada na Conferência, esperava-se uma postura menos arrogante. Os Estados Unidos são considerados os maiores responsáveis por travar as negociações. Qualquer semelhança é mera coincidência.

“E em 2012, nós saberemos – nós fomos alertados.”
 

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