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Polícia suíça pede desculpas a grávida agredida por neonazistas, diz pai

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O advogado Paulo Oliveira, pai da brasileira agredida na Suíça, disse, na quinta-feira (12), que duas agentes da polícia feminina da Suíça estiveram no Hospital Universitário de Zurique, onde Paula Oliveira se recupera. Elas teriam ido pedir desculpas formais à jovem.

 

 

A advogada Paula Oliveira foi agredida por três homens brancos, com cabelo raspados, na noite de segunda-feira (9), em Dubendorf, cidade que fica perto de Zurique. Grávida de gêmeos havia três meses, ela acabou perdendo as crianças e sofreu cortes em todas as partes do corpo.

 

 

Segundo o pai de Paula, as agentes reconheceram que o tratamento da polícia não foi adequado. Elas teriam dito que a vítima não deveria ter sido ouvida por homens. As policiais teriam garantido ainda que, a partir desta sexta-feira (13), o processo de investigação começa do zero.
 

 

Diante disso, Paulo Oliveira disse que vai dar um tempo para que a polícia apresente resultados. Ele insiste que não quer vingança. Quer apenas justiça.

 

 

‘Não podemos aceitar’

 

Autoridades brasileiras estão cobrando explicações da Embaixada da Suíça e mais empenho da polícia daquele país. Para autoridades em Brasília, há evidências de xenofobia, preconceito e intolerância contra a brasileira.

 

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, pediu ao governo da Suíça transparência nas investigações e rigor na punição dos agressores. O presidente Lula reagiu indignado à agressão à brasileira. “O que nós queremos é que eles respeitem os brasileiros lá fora como nós os respeitamos aqui e como nós os tratamos bem aqui. Acho que não podemos aceitar e não podemos ficar calados diante de tamanha violência contra uma brasileira no exterior”, afirmou.

 

O encarregado de negócios da Embaixada da Suíça foi chamado para uma conversa no Itamaraty. Claude Krotaz lamentou a violência. Disse que o caso será investigado com rapidez e rigor. “Se, de fato, houve uma agressão de natureza xenofóbica, esse é um agravante que tem que ser levado em conta e investigado em profundidade. Não há a menor dúvida de que é um caso chocante”, declarou o ministro.

 

“Investigação rigorosa, punição exemplar para esse crime que é gravíssimo, porque tem conotação de crime neonazista que traz de volta toda a temática dos direitos humanos, o horror do holocausto da discriminação do preconceito. Não pode haver tolerância com esses intolerantes”, disse o secretário dos Direitos Humanos, Paulo Vanucchi.

 

Em nota, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara afirmou que a violência é uma afronta aos direitos humanos e que a Suíça deve respostas contra a intolerância.

 

 

Brasileiros que moram na Suíça reclamam da violência contra estrangeiros e estão organizando uma passeata para pressionar as autoridades a identificar e punir os homens que espancaram a brasileira Paula Oliveira.

 

“Nós sabemos que essa atitude está dentro de uma onda de xenofobia que hoje atinge toda a Europa por conta da política migratória, que é cada vez mais hostil a quem vem de fora”, afirmou o deputado Marcondes Gadelha (PSB-PB), presidente da Comissão de Relações Exteriores.

 

“É um sintoma que precisa de uma reação muito forte, e os brasileiros têm sofrido com isso. A própria lei da imigração endureceu com o Brasil e é preciso que demonstremos que somos iguais e os iguais merecem respeito”, comentou o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto.

 

O governo brasileiro aguarda mais explicações da polícia suíça ainda nesta sexta. As críticas ao tratamento dado a Paula Oliveira pelas autoridades em Zurique podem levar o Brasil ao Alto Comissariado de Direitos Humanos das Nações Unidas.

 

 

Agressão

Segundo relatos que Paula fez para o pai, ela havia acabado de sair do trem e ia em direção à casa onde reside com o companheiro, Marco Trepp, quando, foi surpreendida por três homens, aparentemente neonazistas.

 

 

Paulo Oliveira, que é secretário parlamentar, foi avisado pela filha, por telefone, sobre o ocorrido na madrugada de terça-feira (10), pelo horário de Brasília. Em seguida, avisou ao deputado federal Roberto Magalhães (DEM-PE), para quem trabalha, e também o senador Marco Maciel (DEM-PE) e pegou o primeiro voo em direção a Zurique, juntamente com a mãe de Paula, Geni.

“Deram socos, chutaram e a cortaram com estiletes no corpo inteiro e até fizeram a sigla SVP nas pernas”, afirmou ele, por telefone, de Zurique, ao G1. “Eles tinham suásticas na cabeça”, informou ele.

 

 

A sigla faz alusão a um dos principais partidos políticos suiços, o Centro da União Democrática (chamado UDC em francês). "Uma facção do partido tem uma posição muito dura em relação à questão da imigração", disse a cônsul-geral do Brasil em Zurique, Vitoria Cleaver.

 

G1

 

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