A PF (Polícia Federal) prendeu na manhã desta sexta-feira o chinês Zhu Ming Wen, conhecido como Tony, e apontado como líder de uma quadrilha suspeita de participação no tráfico de pessoas e em trabalho escravo. A prisão aconteceu em São Paulo como parte de uma operação que acontece também em Rondônia –onde 11 pessoas foram presas– e em Recife.
Durante os trabalhos em São Paulo, 36 imigrantes –a maioria chineses– foram levados para averiguação na Superintendência da PF. Eles seriam vítimas do esquema e viviam em condições precárias em dois prédios da região da rua 25 de Março –tradicional ponto de comércio popular da cidade.
Também foram apreendidos documentos de um escritório de contabilidade que funcionava em um dos prédios e pode ter participação nas ações do grupo.
A operação foi deflagrada após investigação iniciada pela PF em Rondônia, em 2008, após a prisão de chineses que foram flagrados tentando entrar no Brasil com o carimbo de visto de entrada falsificados nas cidades de Porto Velho, Ji-Paraná e Vilhena.
No total, 14 mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão foram expedidos para serem cumpridos nas cidades de Porto Velho e Guarajá-Mirim, em Rondônia, além de São Paulo (SP) e Recife (PE).
A PF ainda não confirmou se o chinês apontado como líder do grupo já foi ouvido ou se está acompanhado de advogado.
Averiguação
Entre os imigrantes detidos em São Paulo estão três crianças. Eles foram levados em três ônibus até a Superintendência da PF, onde seriam ouvidos e seria verificado se estão em situação ilegal no país.
Os policiais afirmam que os imigrantes que estiverem com a documentação em ordem serão liberados após verificação. Os demais poderão ser notificados para deixar o país.
Esquema
Segundo informações da PF de Rondônia, os imigrantes trazidos para o Brasil vinham da Província de Fujian. A rota usada costumava passar pela Holanda, Peru, Equador, Bolívia e Brasil. O suposto líder do grupo, Ming Wen, controlava a chegada dos chineses. Ele também é apontado como responsável pelo envio de mercadoria contrabandeada de São Paulo para Recife.
Os membros da quadrilha podem responder pelos crimes de formação de quadrilha e por manter trabalhador em condições semelhantes à de escravo e, se condenados, podem pegar 11 anos de prisão, de acordo com a PF.
G1
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