Derrotado nas eleições legislativas de terça-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, fez ontem um apelo público aos líderes do Partido Republicano para que negociem com os democratas e a Casa Branca soluções para reaquecer a economia do país. Abatido, Obama reconheceu em entrevista que os eleitores mostraram-se "profundamente frustrados" com sua agenda de governo e admitiu sentir-se "mal" com a derrota.
A eleição de meio de mandato nos EUA é considerada um referendo sobre o governo. Como em 1994, a votação de terça-feira refletiu uma clara desaprovação popular. O partido de Obama, o Democrata, perdeu 61 cadeiras na Câmara dos Representantes para os conservadores republicanos, que reconquistaram a maioria. Agora, serão 239 votos contra 185. A Casa passará a ser presidida por um dos maiores adversários da política econômica de Obama, o deputado John Boehner, de Ohio, a partir de janeiro.
No Senado, os republicanos tomaram 6 cadeiras dos democratas, que ainda conseguiram manter uma estreita maioria, de apenas 3 votos. Nessa Casa, a divisão será de 53 a 46 votos. O partido de Obama perdeu também sete governos estaduais, dos quais seis foram conquistados pelos republicanos e um será assumido por um político independente. A taxa de abstenção foi estimada em 40% nessa eleição.
"Nenhum partido será capaz de ditar aonde nós vamos daqui para adiante. Nenhum partido tem o monopólio das decisões", declarou Obama, em um sinal aos republicanos de que a negociação oferecida não significará a adesão integral da Casa Branca a todas as suas propostas. "Democratas e republicanos têm de empurrar a agenda econômica pra cima. Não estamos movendo a economia como queríamos. Isso vai requerer o trabalho conjunto de democratas e republicanos. Mas, não será fácil", insistiu.
À entrevista, seguiu-se à iniciativa de Obama, no final da noite de terça-feira, de telefonar para John Boehner, para o líder da minoria republicana no Senado, Mitch McConnell, e para a atual presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi. Naquele momento, com a contagem de votos começando na Costa Leste, sua derrota já estava delineada. Mesmo ciente da resistência dos republicanos a um diálogo com a Casa Branca, o presidente americano propôs a busca de "denominadores comuns" para lidar com o crescimento lento demais da economia.
Mão estendida. Ontem, Obama apresentou-se à opinião pública como o líder derrotado que reconheceu seus erros e estendeu a mão aos vitoriosos – gestos valorizados no país. Mas, com habilidade, definiu limites e impôs suas prioridades.
A de "número 1", informou, será negociar com Boehner e McConnell a redução de impostos para a classe média, as pequenas e médias empresas e os investimentos em pesquisa e desenvolvimento. "O mais importante é estimular e encorajar o setor empresarial", afirmou o presidente.
O presidente americano indicou sua relutância em ceder em outros pontos centrais de sua agenda de governo, como na reforma dos planos de saúde, uma das principais medidas adotadas neste ano. Como alternativa, colocou-se aberto a "discutir ideias" para reduzir os custos dos planos aos consumidores, às empresas e ao governo.
Minutos antes de sua entrevista, Boehner afirmou à imprensa que, na condição de presidente da Câmara, destruirá a "monstruosa reforma dos planos de saúde". Também atropelou outras propostas de conciliação de Obama, como o incentivo ao setor de energia limpa.
"Está bastante claro que a agenda Obama-Pelosi foi rejeitada. Eles (o eleitorado) querem que o presidente mude o curso de seu governo, e é isso que nós (republicanos) vamos fazer", disse.
Estadão
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