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Manifestação por trabalho reúne 1.500 brasileiros em Nagóia

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Cerca de 1.500 brasileiros participaram neste domingo de uma manifestação no centro de Nagóia, capital da província de Aichi, no Japão, para exigir direitos trabalhistas, pedir por emprego e também por atenção do governo japonês para as questões sociais.

Inédito na história do movimento imigratório de brasileiros ao arquipélago, a barulhenta, porém organizada, passeata de dekasseguis chamou a atenção da mídia japonesa e também estrangeira.

Duas semanas atrás, movimento semelhante foi realizado na capital japonesa, mas reuniu um número bem menor de participantes – cerca de 400.

“A comunidade brasileira sempre foi vista como uma minoria silenciosa e até invisível no Japão, mas de repente esses trabalhadores começaram a lutar pelos direitos”, conta Angelo Ishi, jornalista, sociólogo e professor da Universidade Musashi, de Tóquio.

Ele aproveitou a aglomeração de conterrâneos para fazer uma pesquisa sobre os motivos que levaram os manifestantes a se unir. “Sei que a crise e o desemprego estão no topo dessa lista, mas deve ter algo a mais”, analisa o estudioso.

Sem perspectivas

A província de Aichi é a que abriga a maior quantidade de brasileiros no Japão – são cerca de 70 mil. É lá que está a sede da maior montadora japonesa, a Toyota, e onde também houve os maiores cortes nas indústrias.

Assim como os dekasseguis entrevistados pela BBC Brasil, muitos outros brasileiros estão antecipando a volta ao país natal.

“A gente vem com um objetivo de juntar dinheiro e voltar o mais rápido para o Brasil, mas acabamos nos acomodando e criamos um vínculo com o Japão, como se aqui fosse a nossa casa”, lamenta Clodomir.

Apesar da situação difícil, as entidades assistenciais e mesmo os empresários brasileiros que trabalham com a colocação de mão de obra dekassegui nas fábricas não acreditam no fim da comunidade brasileira.

“Já são 20 anos de história e acredito que, a partir de agora, vamos ter sim é o começo de uma nova era do imigrante”, aposta Ricardo Minoru Koike, diretor da Bell Tech, empresa de recursos humanos.

BBC

 

Clodomir Ikuno da Silva, 27 anos, acabou de perder emprego e foi um dos que participou da manifestação. Há treze anos no Japão, esta é a primeira vez que ele fica desempregado.

“Não estava com planos ainda de ir embora, mas talvez seja obrigado a voltar”, diz o brasileiro, que não fez o pé de meia que sonhava, e só tem o dinheiro da passagem de volta a Manaus (AM).

Ricardo Suzuki, 32 anos, também está parado e aproveitou o domingo para dar força ao movimento. Ele levou a filha Bruna, de 6 anos, e a esposa Daiane, de 26, que por enquanto ainda está trabalhando.

Há 16 anos no Japão, ele diz nunca ter visto uma situação como esta. “Se as coisas não melhorarem, vamos ser obrigados a voltar ao Brasil mesmo”, fala.

Essa também é a idéia de Ricardo Nakamura, 42 anos. “Vou fazer de tudo para arrumar um emprego, mas se não der mesmo, vou voltar para São Paulo”, admite ele, que está no Japão há 16 anos.

Volta

 

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