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Irã não permitirá que os EUA controlem o Oriente Médio, diz Ahmadinejad

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Em visita à China, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, reagiu novamente às sanções impostas ao seu país pelo Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), assegurando que as medidas "não têm valor legal" e que as potências atômicas querem "monopolizar a tecnologia nuclear", além de frisar que os inspetores da AIEA não serão expulsos do país.

Ahmadinejad deixou claro que o principal "problema" da República Islâmica é com os EUA, que querem "controlar" o Oriente Médio, mas o país não deve permitir que os americanos façam isso, disse.

 

Para o líder, a nova resolução aprovada na quarta-feira (9) na ONU "não tem efeito" e indica uma tentativa do Conselho de Segurança, cujos membros permanente são potências atômicas, de deter sob seu poder o uso e desenvolvimento da tecnologia nuclear.

Além dos EUA, Reino Unido e França, que se opõem ao programa nuclear iraniano, os assentos permanentes do Conselho são ocupados por Rússia e China, tradicionais aliados de Teerã, que também votaram a favor das novas sanções.

"O Conselho de Segurança é uma ferramenta nas mãos da ONU, mas não pertence a todas as nações. Sua estrutura não é democrática", disse Ahmadinejad.

O presidente iraniano apontou o fato de todos os membros permanentes deterem armas atômicas, para "sua própria defesa", o que seria legítimo, mas ele questiona uma intenção de "controle" sobre a utilização de energia nuclear, dizendo que as cinco potências "usam qualquer desculpa para evitar que outros países desenvolvam" este tipo de tecnologia.

Votação

A nova resolução que impõe sanções à República Islâmica por seu polêmico programa nuclear, que o Ocidente e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) julgam perigoso por não ter fornecido evidências suficientes de fins pacíficos, foi aprovada com 12 votos a favor, dois contra e uma abstenção, do Líbano, na última quarta-feira (9).

Em Xangai, Ahmadinejad também criticou o posicionamento dos países durante o processo, dizendo que dos países que votaram a favor, "quatro estão no bloco capitalista [Áustria, Japão, México e Bósnia-Herzegóvina] e nos últimos 60 anos não deram nenhum voto independente [na ONU]".

"Um país com bases militares americanas não pode dar um voto independente", criticou o líder iraniano numa clara alusão ao Japão.

Sobre os três restantes, Gabão, Nigéria e Uganda, o presidente assegurou ter recebido informações de que houve "pressão" para que votassem a favor.

Desobediência

A decisão abriria caminho agora para um processo de desobediência à ONU. "Os que pensam que podem continuar sua intimidação usando um sistema político internacional estão cometendo um grande erro, pois não serão capazes de impôr seus pontos de vista a outras nações", disse Ahmadinejad.

"Estamos agora num período de irmandade lógica e de ascensão das nações", assegurou o líder, agradecendo ao voto "independente" do Brasil e Turquia, além de pedir um sistema internacional "igualitário e justo, baseado no amor, compaixão e justiça".

Ahmadinejad também deixou claro que não expulsará os inspetores da AIEA de seu país. "Não há razão para que deixem o Irã, não temos problemas com nosso programa nuclear pacífico, os problemas que temos são com os países agressivos", afirmou, antes de dizer que a controvérsia sobre as atividades nucleares do Irã não passam de um "pretexto" dos EUA para que possam "controlar" o Oriente Médio.

"O Irã jamais permitirá aos EUA que façam isso", disse.

Relações com a China

Sobre como ficam as relações bilaterais com o governo chinês após o voto de Xangai a favor das sanções, Ahmadinejad disse que a República Islâmica mantém "relações muito boas com a China" e não há razão para colocar obstáculos.

"O principal problema são os EUA e não os demais países", insistiu. Para o líder, esta é a questão que precisa ser resolvida com a ajuda dos países independentes, complementou.

A participação de Brasil e Turquia neste processo, com o acordo assinado há menos de um mês em Teerã, "foi muito eficiente" para mostrar aos demais países que fazem "concessões" ao Conselho de Segurança que é possível ter um posicionamento diferente das potências ocidentais, disse.

"Estamos no princípio do processo, mas será muito rápido. O unilateralismo deve desaparecer para sempre do mundo, logo será desmantelado", reiterou. Os EUA "compreenderão rapidamente que não fizeram uma votação correta" e que ao gerar um "ambiente hostil", bloquearam a possibilidade de negociar e dialogar com o Irã, indicou.

Visita

Ahmadinejad está na China unicamente para visitar o grande evento de Xangai, segundo o Ministério de Assuntos Exteriores chinês, que não prevê encontros entre ele e os líderes comunistas.

O presidente da China, Hu Jintao, se encontra em Tashkent (Uzbequistão) para participar da cúpula da Organização para a Cooperação de Xangai (SCO, sigla em inglês), para a qual Ahmadinejad tinha sido convidado.

O líder iraniano cancelou de última hora sua participação na cúpula, que também terá Dmitri Medvedev, presidente da Rússia, outro país que durante meses se opôs a sanções contra Teerã, mas que acabou por aprová-las no Conselho de Segurança da ONU, onde Moscou e Pequim são membros permanentes com direito a veto.

O porta-voz de turno do Ministério de Exteriores chinês, Qin Gang, destacou na quinta-feira que o fato de a China aprovar as sanções contra o Irã não fecha a porta à diplomacia.

 

 

Folha online

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