Wyclef Jean não poderá participar das eleições presidenciais do Haiti em novembro. O nome do rapper não está entres os 19 aprovados pelo Conselho Eleitoral do país
O rapper Wyclef Jean não pode mais se eleger nas próximas eleições presidenciais do Haiti. Wyclef não vai nem participar do pleito. O Conselho Eleitoral do país divulgou a lista dos 19 candidatos que podem disputar as eleições do dia 28 de novembro e o cantor, que vive nos Estados Unidos desde os 9 anos, não foi qualificado: a leia haitiana pede residência fixa no país por ao menos cinco anos para a candidatura.
“Não é Clef quem vai perder. É uma geração inteira que vai perder”, afirmou Lord Kinomorsa, ativista, cantor e consultor pessoal de Wyclef ao Miami Herald. “Clef vai voltar para sua casa em Nova Jersey. São as pessoas nas tendas, o povo na miséria, os que não têm emprego que vão perder. Ele veio aqui com um bom coração.”
Wyclef fez o anúncio oficial de sua candidatura no começo de agosto. Montou um comitê eleitoral em Porto Príncipe, capital do Haiti, e andou pelas ruas da cidade, devastada, como boa parte do país, por um terremoto no dia 12 de janeiro. “Senti a necessidade de responder ao chamado da juventude haitiana”, disse.
Ser presidente, uma obsessão antecipada pelo terremoto, seria para Wycleaf o “próximo passo” de sua trajetória, o retorno para casa. Wyclef Jean, hoje com 40 anos, até se mudar para os EUA, foi criado em Croix-des-Bouquets, uma das cidades mais carentes da região de Porto Príncipe. Depois, como estrela da música americana, virou uma espécia de embaixador do Haiti.
A saída de Wyclef da disputa não muda muito o cenário das eleições, nem diminui a tensão crescente, não só política, de um país cuja história é marcada por sucessivos golpes. O rapper não era o favorito nas urnas. Dos candidatos aprovados quem tem mais peso político é Jude Célestin, diretor executivo da CNE, a estatal responsável pelos serviços de reconstrução do Haiti. Célestin é apoiado pelo presidente René Préval, que não pode concorrer a um terceiro mandato – e controla a Comissão Eleitoral.
“Vai haver violência? Sim”, afirmou ao Miami Herald James Morrell, diretor-executivo do projeto Democracia no Haiti, em Washington. “A questão é quão forte e generalizada.” Além disso, quem ganhar as eleições terá pela frente um país ainda em ruínas sete meses após o tremor. A energia elétrica e o fornecimento de água seguem precários, e milhares de moradores dormem em tendas no meio da rua.
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