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Fiéis se crucificam em comemoração à Sexta-Feira Santa nas Filipinas

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Vários devotos foram pregados a cruzes e outros açoitaram as próprias costas até sangrarem nas Filipinas, relembrando o sofrimento e a morte de Jesus Cristo, na Sexta-Feira Santa.

A Igreja Católica desaprova o ritual anual de devoção, mas diz que não pode impedir as pessoas no maior país católico da Ásia a serem voluntariamente pregadas a cruzes ou a se autoflagelarem, pode apenas ensiná-las que isso não é necessário.

Cerca de 80% da população filipina, de mais de 90 milhões de pessoas, é católica.

Ao menos 23 pessoas foram pregadas a cruzes em três vilas na cidade de San Fernando, na Província de Pampanga (norte).

Estrangeiros foram proibidos de participar este ano, exceto como espectadores, disse Ching Pangilinan, um dos organizadores e funcionário do escritório de turismo da cidade. Segundo ela, a proibição foi imposta depois que alguns estrangeiros participaram, em anos anteriores, só para fazer um filme ou brincar com os rituais.

O evento reuniu mais de 10 mil filipinos e estrangeiros, segundo ela.

Entre os fieis estava Ruben Enaje, 49, um pintor que foi pregado a uma cruz pela 24ª vez como forma de agradecer a Deus por ter sobrevivido após cair de um prédio.

Mary Jane Mamangon, 34, vendedora de bolos, era a única mulher devota a ser pregada em uma cruz este ano na vila de San Juan. Foi sua 14ª participação. Ela disse ter começado quando tinha 18 anos e ter participado quase todos os anos do ritual, em busca de ajuda de Deus para salvar sua avó doente e agora sua irmã mais nova, que tem câncer.

Rituais semelhantes aconteceram na Província de Bulacan, enquanto em outras partes das Filipinas, flagelantes seminus e com os pés descalços andaram pelas ruas açoitando as próprias costas com pedaços de pau pregados a cordas, como forma de pagar por seus pecados.

A Conferência de Bispos Católicos das Filipinas disse que a real expressão da fé cristã durante a quaresma se dá por meio de arrependimento e renovação própria, não por flagelação e crucificação.

O bispo Rolando Tirona, de Infanta, disse que flagelação e crucificação são expressões de crenças supersticiosas, e são feitas, em geral, por necessidade de dinheiro ou para encorajar o turismo, o que as torna atos incorretos.

Folha

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