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Ex-deputado e apresentador de TV suspeito de ordenar mortes se entrega à polícia no AM

O ex-deputado estadual e apresentador de TV Wallace Souza, suspeito de liderar uma organização criminosa e de ter encomendado crimes para transmitir em um programa de TV que apresenta, se entregou nesta sexta-feira à Polícia Civil do Amazonas.

A Justiça do Estado decretou na segunda-feira a prisão temporária do apresentador e ele era considerado foragido. Como não tem curso superior, não tem direito a cela especial.

No mesmo dia, o PP anunciou que Souza foi expulso do partido. A Assembleia Legislativa do Amazonas decidiu na semana passada, por 16 votos a favor, quatro contra e três abstenções, cassar o mandato do então deputado estadual.

O político foi considerado réu em processo aberto pelo Tribunal de Justiça do Amazonas, no qual é acusado de formação de quadrilha, tráfico de drogas, ameaça a testemunhas e porte ilegal de armas.

A situação do deputado se agravou quando a imprensa exibiu denúncias segundo as quais Souza encomendou crimes para ter material atrativo para o "Canal Livre", um programa policial de televisão que apresenta no Amazonas.

Depoimentos indicaram que Souza encomendava assassinatos e depois mostrava cenas das vítimas no programa para aumentar a audiência. O ex-PM Moacir Costa, o "Moa", que, segundo o Ministério Público, integrou o grupo, revelou, depois de ser preso, detalhes da quadrilha, como o planejamento de homicídios.

Segundo o juiz Mauro Antony, da 2ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecentes, a prisão temporária do ex-deputado é referente ao processo em que é acusado de tráfico, associação para o tráfico, porte ilegal de arma e coação a testemunha.

Outras 16 pessoas envolvidas no caso estão presas, incluindo o filho do apresentador, Raphael Souza.

Defesa
 

Durante sua defesa na Assembleia, na semana passada, o deputado cassado se disse inocente. Souza também apresentou cópias dos cheques emitidos pelo banco Bradesco, que comprovam, segundo ele, a legalidade do valor de R$ 240 mil, encontrado no cofre de sua residência.

"Me tacaram pedra. Mas quem nunca cometeu um pecado que atire a primeira pedra", disse. "Tenho agora provas de que o dinheiro é licito e tenho provas para cada cheque emitido pelo Bradesco. Em nenhum momento auferi recursos que não fosse do meu trabalho. Tem a microfilmagem dos cheques."

Ele afirmou que o dinheiro era para emergência, uma vez que tem trombose, varize de esôfago, baço dilatado e outros problemas de saúde. "Quantas vezes em precisei me deslocar de Manaus em UTI aérea. Para isso é preciso ter dinheiro disponível."

A reportagem não conseguiu contato com a assessoria de Souza para comentar o assunto.
 

Folha

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