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Chávez se nega a reconhecer embaixador americano na Venezuela

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, instou ontem os Estados Unidos a romperem relações diplomáticas com seu país. O anúncio ocorreu depois que o governo norte-americano insistiu na escolha de seu novo embaixador em Caracas, Larry Palmer. O diplomata foi rejeitado pelo chefe de Estado venezuelano após afirmar, durante a ratificação no Senado, que as Forças Armadas do país apresentavam moral baixa, sofriam influência cubana e estavam cientes da presença das guerrilhas colombianas em seu território. O presidente pede que outro nome seja escolhido por Washington. A Casa Branca declarou ontem que não pretende fazer a mudança.

O governo dos Estados Unidos sustenta que a presença de um embaixador norte-americano em Caracas é de “interesse nacional”. O porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner, admitiu que o governo tem confiança no trabalho de Palmer, mas preferiu não revelar que consequências o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, enfrentará, caso não aceite o representante de Washington em Caracas. “Somente por meio de uma conversa franca com o governo venezuelano poderemos discutir as diferenças”, declarou Toner.

Chávez resolveu reagir e foi duro em suas declarações, durante ato oficial transmitido pela televisão estatal ontem. “Nós negamos a permissão desse senhor e agora o governo dos Estados Unidos nos ameaça com represálias. Bom, que façam o que tiver vontade, mas esse senhor não virá. Se o governo vai expulsar nosso embaixador de lá, que o faça. Se vão querer cortar relações diplomáticas, que vão em frente.”, declarou o presidente venezuelano.

Na semana passada, o Departamento de Estado havia alertado de que haverá “consequências”, caso Caracas não aceite Palmer. O episódio acirrou a tensão entre os dois países. Para Chávez, o diplomata, escolhido pelo presidente Barack Obama em agosto, ofendeu profundamente as Forças Armadas venezuelanas. “Para ser embaixador aqui é preciso respeitar essa pátria. O indecoroso seria eu se permitisse que esse senhor viesse para a Venezuela”, discursou. O presidente venezuelano mandou uma carta para o governo norte-americano, em represália à escolha, no começo de dezembro.

Antecedente

Os Estados Unidos e a Venezuela viveram uma crise diplomática na época do governo de George W. Bush. Os embaixadores de ambos os países foram retirados entre setembro de 2008 e junho de 2009, por causa de impasses. “A retórica antiamericana faz parte da política externa venezuelana, é um elemento importante para o chavismo, porém parecia ter sido revista com Obama, que se mostrou mais hábil. Temos que verificar como será o desdobramento dessa história, porém, declarar o embaixador como persona non grata seria uma atitude muito extrema”, comenta Virgílio Arraes, professor de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB).

Para o especialista, é preciso usar a força diplomática para tentar reverter o quadro entre os dois países. “É preciso aguardar o desfecho, mas o embaixador poderia fazer declarações mais amenas ou tentar se retratar para ir rumo ao entendimento”, sugere o professor. Por enquanto, o diplomata não se manifestou. Segundo o governo americano, Palmer tem “uma combinação de habilidade, sabedoria e experiência”.

O embaixador escolhido para representar os EUA em Caracas ingressou na diplomacia em 1982 e possui vasta experiência na América Latina. Palmer foi embaixador em Honduras entre 2002 e 2005 e, antes, atuou como encarregado de negócios no Equador. Serviu na República Dominicana, no Uruguai e no Paraguai.

 

Correio Braziliense

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