Um bebê palestino morreu queimado e seus pais ficaram feridos em estado grave em um ataque cometido nesta sexta-feira (31) por colonos israelenses que atearam fogo a sua casa na Cisjordânia ocupada, um ato classificado de terrorista por Israel.
Esta classificação bastante incomum nestes casos e as condenações unânimes dos líderes israelenses, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, não convenceram os palestinos. Estes últimos consideram o governo totalmente responsável pela morte do bebê, por ser a "consequência direta de décadas de impunidade(…) ante o terrorismo dos colonos".
O presidente palestino, Mahmud Abbas, advertiu que levará ao Tribunal Penal Internacional (TPI) a morte.
"Preparamos imediatamente o dossiê que será submetido ao TPI e nada nos deterá em nossa vontade de apresentar uma denúncia", afirmou Abbas em Ramallah, na Cisjordânia ocupada.
As autoridades preveem manifestações depois da oração desta sexta-feira nos territórios ocupados e o movimento islamita Hamas, no poder na Faixa de Gaza, fez nesta sexta-feira uma convocação a um "dia da ira" contra as agressões israelenses.
Segundo responsáveis de segurança palestinos, na madrugada desta sexta quatro colonos israelenses atearam fogo em duas casas situadas na entrada do povoado palestino de Duma, perto de Nablus, no norte da Cisjordânia, e picharam slogans em um muro, antes de escapar a uma colônia próxima, Maale Efraim. Um dos slogans proclamava "Viva o messias".
O bebê Ali Dawabcheh, de um ano e meio, morreu queimado. Sua mãe Eham, de 26 anos, seu pai Saad e seu irmão Ahmed, de quatro anos, ficaram feridos e foram transportados a um hospital israelense, segundo fontes médicas israelenses.
A mãe se encontra em estado muito grave com queimaduras de terceiro grau em 90% de seu corpo, declarou um médico israelense à rádio pública, acrescentando que "sua vida corre risco". O pai também teve 80% do corpo queimado.
Segundo a rádio militar, o incêndio foi provocado por dois homens mascarados que lançaram coquetéis molotov contra duas casas. Em uma delas vivia a família Dawabcheh. Nos muros picharam "o preço a pagar", "vingança" e desenharam uma estrela de David.
Um porta-voz militar israelense disse que havia pichações em hebraico nos muros da casa e que o exército se esforça para "localizar os autores do ataque".
Netanyahu e o exército denunciaram rapidamente um ato "terrorista". Mas Saeb Erakat, número dois da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), estimou que "não é possível dissociar este ataque bárbaro" de um "governo que representa uma coalizão para a colonização e o apartheid".
G1
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