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Após tensão com EUA, cinco aviões da FAB com suprimentos e equipes chegam ao Haiti

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Quatro dias após o terremoto de magnitude 7 que devastou o Haiti, mais cinco aeronaves da FAB (Força Aérea Brasileira) com suprimentos e equipes médicas conseguiram chegar ao aeroporto da capital haitiana, Porto Príncipe, em meio a tensão diplomática pelo bloqueio imposto a oito das aeronaves brasileiras pelos Estados Unidos, que controlam desde quinta-feira (14) o aeroporto.

Segundo a FAB, três aeronaves com suprimentos, remédios, equipes médicas aguardavam no aeroporto de Santo Domingo, na vizinha República Dominicana, pela autorização americana para pousar em Porto Príncipe –onde a torre de controle foi destruída pelo terremoto e o alto fluxo de aviões com ajuda humanitária sobrecarrega as pistas.

Outras duas aeronaves que aguardam em Boa Vista (RR) também já decolaram e chegaram ao local na manhã deste sábado.

Segundo contagem da FAB, ao todo 140 passageiros e mais de 80 toneladas de carga foram transportadas por intermédio de seus aviões para ajudar as vítimas do terremoto, que deixou milhares de mortos e desabrigados. Entre os brasileiros, 14 militares e três civis morreram.

A FAB informa ainda que as aeronaves já retornaram ao Brasil. Elas levaram para a capital haitiana suprimentos, equipes médicas, material de apoio e o Hospital de Campanha da FAB, que permitirá aos brasileiros atender casos de emergência e urgência e até mesmo realizar operações, diante do colapso do sistema de saúde local.

Na tarde desta sexta-feira, às 15h55, um avião C-130 Hércules decolou da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, com suprimentos.

Já na noite do dia 14 e na madrugada do dia 15, quatro C-130 Hércules decolaram com material, suprimentos e militares para a instalação do Hospital de Campanha (HCAMP) e de uma Unidade Celular de Intendência (UCI) em Porto Príncipe.

No dia 13, um dia após o tremor, seguiu para Porto Príncipe uma aeronave VC-2, transportando o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, além de outras autoridades. O VC-2 retornou ao Brasil às 3h30 do dia 15 de janeiro, trazendo o corpo da médica Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança e uma das três vítimas brasileiras civis da tragédia.

Também no dia 13, decolou da Base Aérea do Galeão o primeiro C-130 Hércules brasileiro rumo ao país caribenho. A aeronave levou para Porto Príncipe 13 toneladas de alimentos, água e remédios, retornando ao Brasil às 12h do dia 14, com quatro brasileiros repatriados pela FAB.

No dia 14, um Boeing 707 decolou do Galeão e fez escala em Brasília antes de seguir para Porto Príncipe com 51 bombeiros, quatro cães farejadores, equipamentos de resgate e suprimentos foram enviados ao Haiti.

O avião voltou ao Brasil nesta sexta-feira, pousando no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, com 16 militares brasileiros feridos que foram encaminhados para o Hospital Geral do Exército em São Paulo.

Tensão diplomática

Nesta sexta-feira, alguns dos aviões da FAB que enviam mantimentos e equipes de resgate ao Haiti enfrentaram dificuldades de pousar no aeroporto de Porto Príncipe devido ao aumento da restrição de pousos por parte dos americanos.

O problema ocorre devido às condições precárias do aeroporto, que foi parcialmente danificado com o terremoto de terça-feira que devastou o Haiti. Os americanos –que receberam do governo haitiano o controle temporário sobre o aeroporto- estão restringindo as operações devido à falta de estrutura para desembarcar o material de ajuda e pela falta de combustível.

Um boletim de alerta da FAA (Administração Federal de Aviação americano, na sigla em inglês) na sexta-feira disse que apenas voos com autorização prévia estão sendo autorizados a pousar em Porto Príncipe, e que para os demais o espaço aéreo haitiano está fechado.

A situação causou um pequeno problema diplomático entre Brasil e EUA. Além de dificultar o pouso dos aviões da FAB, os brasileiros reclamam que o controle americano impediu o acesso da Minustah (Missão de Paz da ONU no Haiti, liderada pelos brasileiros) ao local.

A reclamação foi o alvo de uma ligação do ministro de RElações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, à secretária de Estado americana, Hillary Clinton. "Havia um pequeno mal entendido em relação à questão do aeroporto, a sequência dos aviões, o acesso da Minustah ao aeroporto. Ela [Hillary] prometeu que ia reforçar a instrução que já tem o comando militar deles de se coordenar com a Minustah", afirmou.

Ao desembarcar nesta sexta-feira no Brasil depois de uma visita de 24 horas ao Haiti, o ministro de Defesa, Nelson Jobim, também criticou o controle dos EUA sobre o aeroporto de Porto Príncipe. Jobim disse que a decisão foi "unilateral" dos norte-americanos, sem que outros países fossem consultados.

Amorim disse que a secretária de Estado dos EUA esclareceu que as forças americanas vão cumprir funções essencialmente humanitárias, sem interferir na segurança pública do país, já que isso é a função da Minustah. O ministro disse que Hillary reconheceu a liderança do Brasil na recuperação do Haiti, por isso se mostrou disposta a dialogar com as tropas dos EUA no país caribenho.

Tragédia

O terremoto aconteceu às 16h53 desta terça-feira (19h53 no horário de Brasília) e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe, a capital do país.

Ainda não há um dado preciso sobre o número de mortos. A Organização Pan-americana de Saúde, ligada à ONU (Organização das Nações Unidas), diz que pode ter morrido cerca de 100 mil pessoas. Já o Cruz Vermelha estima o número de mortos entre 45 mil e 50 mil. Nesta sexta-feira, governo do Haiti afirmou estimar em 140 mil o total de vítimas.

O ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, elevou na sexta-feira para 17 o número de brasileiros mortos no país –14 militares e mais três civis, entre eles a médica Zilda Arns e o chefe-adjunto civil da missão da ONU (Organização das Nações Unidas) no Haiti, Luiz Carlos da Costa.

 

 

Folha

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