Grandes estrelas do Corinthians no agitado ano do centenário, Ronaldo e Roberto Carlos reeditam em 2010 uma vitoriosa e polêmica dupla. Badalados no mundo todo na era dos galácticos do Real Madrid-ESP e amigos fora dos gramados, atacante e lateral-esquerdo viveram a glória do sucesso e da conquista dos títulos, mas viram seus nomes serem colocados em xeque pelo fracasso do Brasil na Copa do Mundo de 2006. Desta vez, tentam colocar um ponto final em suas carreiras tirando o Timão da fila de títulos da Libertadores.
Idolatrados na Europa, os jogadores só foram se encontrar em um mesmo clube a partir da temporada 2002, quando o Real Madrid decidiu reforçar ainda mais sua equipe e contratou o Fenômeno do Inter de Milão-ITA. Na ocasião, Roberto Carlos já havia entrado para a história do time madrilenho, conquistando um Mundial Interclubes, três vezes a Liga dos Campeões e duas o Campeonato Espanhol.
O sucesso, porém, não impediu que a dupla vencesse ainda mais. Juntos, eles conquistaram a Recopa (2002), o Mundial Interclubes (2002), a Supercopa da Espanha (2003) e o Espanhol (2007). Roberto foi também o jogador que mais assistências deu para que Ronaldo marcasse. Neste ano, aliás, a parceria chegou ao fim. Em baixa e desgastado no clube, o camisa 9 acabou vendido ao Milan-ITA.
Eles deixaram saudades aqui (Real). Ronaldo, por onde passou, é sempre tratado com carinho, e Roberto, por tudo o que representou aqui, é muito querido. Espero que eles tenham muito sucesso – disse o meia Kaká, em entrevista no fim de dezembro.
Na seleção brasileira, Ronaldo e Roberto Carlos viveram momentos de glórias e decepções. Em 1996, foram campeões do Torneio Pré-Olímpico, mas fracassaram nos jogos de Atlanta. Um ano depois, o Fenômeno conquistou pela segunda vez o título de melhor jogador do planeta, com o lateral-esquerdo ficando em segundo lugar.
Dois anos mais tarde, em um dia marcado por uma convulsão do Fenômeno horas antes da decisão, viram o também amigo Zidane brilhar e levar a França ao primeiro título mundial. A redenção veio em 2002, depois de uma sofrida campanha nas eliminatórias. Sob o comando de Felipão, Ronaldo foi o artilheiro do Mundial, Roberto Carlos, enfim, caiu no gosto popular e o Brasil voltou da Ásia com o pentacampeonato.
Os problemas voltaram a aparecer na Copa seguinte. Ronaldo se apresentou ao técnico Carlos Alberto Parreira muito acima do peso, mas, mesmo assim, se transformou no maior artilheiros de Mundiais (15 gols). Roberto, porém, caiu em desgraça com o polêmico lance do gol do francês Thierry Henry em que aparece arrumando as meias durante a cobrança da falta.
Quase quatro anos depois, os jogadores se encontram novamente em uma empreitada que pode marcá-los para sempre na história do segundo time mais popular do país, realizando o sonho de diretoria e torcida de conquistar pela primeira vez o título da Libertadores.
– O Ronaldo não é meu amigo, é meu irmão. Convivi mais tempo com ele do que com a minha própria família. Mas não é só o Ronaldo. Ele me trouxe a motivação para vir pra cá. Mas o Corinthians não é só o Ronaldo ou o Roberto. É um grande time – disse Roberto Carlos em sua apresentação.
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