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Em João Pessoa, projeto escola Zé Peão já alfabetizou mais de 7 mil operários

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 Se os trabalhadores não podem ir à escola, em João Pessoa (PB) é a sala de aula que vai até o canteiro de obras. O projeto Escola Zé Peão alfabetiza desde 1991 operários de construção e do mobiliário. As aulas ocorrem de segunda à sexta-feira , durante duas horas, no período da noite.

“Eles trabalham muito, então não adianta oferecer mais do que duas horas porque aí eles saem, vão embora”, explica Maria José Moura Araújo, uma das coordenadoras pedagógicas do projeto.

Os participantes são, em sua maioria, homens, entre 18 e 56 anos, muitos vindos do interior do estado. Há dois programas diferentes: um que atende os operários sem escolaridade e o “tijolo sobre tijolo”, para aqueles que já sabem ler e escrever, mas querem melhorar as habilidades.

Mais de 7 mil já foram alfabetizados desde 1991. Para este ano, a expectativa é alfabetizar 300 pessoas que já estão matriculadas em 13 turmas. A iniciativa é resultado de uma associação entre a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção e Mobiliário de João Pessoa (Sintricom).

A metodologia de ensino se baseia em três princípios, a contextualização, que consiste em trabalhar dentro da realidade em que o aluno está inserido; a significação, que é dar significado àquilo que ele aprende e a especificidade escolar.

Segundo a coordenadora pedagógica, o sucesso do projeto se deve à motivação e mobilização dos trabalhadores. De acordo com ela, atualmente há uma grande pressão nas empresas para que os operários voltem a estudar, mas nem sempre foi assim.

“No início a gente teve muita dificuldade até de convencimento da importância de eles estudarem. As empresas queriam nos ver longe, porque achavam que era um projeto do sindicato, mas aos poucos ele foi se firmando como um projeto escolar de fato e hoje já tem empresas que solicitam.”

Mas não é apenas a pressão do mercado que leva os operários a voltarem a estudar, muitos retornam à escola pela realização pessoal. “Eles têm esse motivo que é a pressão do mercado, mas outros dizem que têm desejos, que sonham, que querem ajudar os filhos, que os filhos já estão passando deles no saber”, conta Maria José.

Além da alfabetização, há algumas ações paralelas, como a biblioteca volante, que circula nas salas e empresta livros para os alunos, e atividades extraclasse. “Sempre que possível a gente leva os alunos para alguma atividade fora da aula, como conhecer espaços que foram construídos por eles e historicamente negados pelo poder econômico”, afirma a coordenadora.

 

 

Agencia Brasil

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