A crise nos Estados Unidos, principal importador dos produtos paraibanos, provocou pelo segundo mês consecutivo recuo nas exportações do Estado. Em fevereiro, os embarques internacionais somaram apenas US$ 12,7 milhões de dólares contra US$ 18,4 milhões no mesmo período do ano passado, uma retração de 30,95% (US$ 5,7 milhões). Somente os EUA voltaram a registrar queda de 34,27% nas importações, diminuindo de 46,82% para 42,49% a participação nas importações paraibanas no comparativo de fevereiro de 2008. Em janeiro deste ano, as exportações recuaram 24,29% quando comparado a janeiro do ano passado, com redução de 43,12% nas importações americanas de produtos paraibanos.

Dos dez maiores exportadores do Estado, seis deles apresentaram retração em fevereiro. A empresa têxtil Coteminas, que participa com 31% nas exportações paraibanas, que tem nos EUA um dos principais destinos, apresentou um recuo em 33% nos embarques internacionais no último mês (US$ 3,7 milhões). As outras cinco empresas, que registraram queda, mas que representam apenas 6,34% das exportações foram a Xerium Technologies (-51,59%), a Companhia Usina São João (-49,14%), Intrafrut (-63,25%), Asturiana do Brasil (-33,9%), Fuji (-42,34%).

As exportações somente não foram menor em fevereiro devido ao forte crescimento da indústria de calçados Alpargatas (64,42%). A empresa sozinha foi responsável por mais de 61% das exportações paraibanas ao comercializar US$ 7,8 milhões de dólares do total dos 12,7 milhões no último mês.

Já as importações paraibanas apresentaram alta de 14% em fevereiro, com embarques de US$ 34,7 milhões. As empresas São Paulo Alpargatas, Brastex, Comércio Industrial de Ferro e Aço e Norfil Indústria de Textil lideraram as importações no último mês com participação de quase 45% do total. Com a diferença entre as exportações e importações, a balança comercial paraibana acumulou um déficit de 21,9% em fevereiro. Somado janeiro e fevereiro, as exportações alcançaram somente US$ 27,1 milhões contra mais de US$ 70 milhões de importações, acumulando um déficit de US$ 42,9 milhões.

O gerente de logística da Coteminas, Marcos Teixeira, afirmou que a crise americana refletiu diretamente na queda das exportações dos produtos têxteis da empresa. “Como o grosso das exportações da Coteminas são para grandes empresas varejistas americanas, como a Wall-Mart, houve recuo nas vendas nos dois primeiros meses. Apesar do primeiro bimestre difícil nas exportações, já temos sinais de melhora nas exportações de março”, revelou o executivo, ao apontar que a empresa vem compensando a ausência de exportações, priorizando o mercado doméstico.

Para a professora de Administração e consultora da Brazilliant, Luciana Rabay: “A pesada crise financeira e econômica nos principais importadores do Brasil e da Paraíba, como são os casos dos EUA e do continente Europeu, provocou a retração nas exportações dos produtos básicos”. Contudo, segundo Luciana: “A crise ainda não afetou empresas que exportam produtos diferenciados como, por exemplo, os orgânicos e o algodão colorido. Esses produtos possuem nicho de mercado já assegurado no mercado internacional e não sofreram retração, porém, como não possui volume nem participação significativa nas exportações da Paraíba, não interfere nos números da balança comercial”, explicou.

Em fevereiro, as exportações brasileiras indicaram uma queda média de 25% sobre o mesmo mês do ano passado. A balança comercial brasileira registrou, em fevereiro, exportações de US$ 9,5 bilhões e importações, na mesma comparação, de US$ 7,8 bilhões (média diária de US$ 434,4 milhões), com queda de 34,6%. No último mês, o Nordeste apresentou a maior retração (-26,3%) entre as regiões do país no comparativo do mesmo mês em 2008, com US$ 461,7 milhões em desembarques internacionais. A Paraíba – com importações de US$ 34,3 milhões – e Rio Grande do Norte – US$ 12,6 milhões – encerraram o mês com as maiores altas de importações de 14% e 6,8% com relação a fevereiro de 2008, respectivamente.
 

Jornal da Paraíba

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