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Brasil comemora inclusão de câmbio em lista de indicadores

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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse neste sábado, em Paris, que o Brasil ficou "plenamente satisfeito" com o acordo selado após a reunião ministerial do G20, que reuniu na capital francesa os ministros das Finanças e presidentes dos bancos centrais das principais economias do planeta.

O principal motivo de satisfação do governo brasileiro foi a inclusão da taxa de câmbio como um dos elementos que serão levados em conta para medir os desequilíbrios nas economias mundiais.

"A gente queria muito colocar o foco no câmbio. Por mais que alguns neguem, o câmbio é a variável crucial, que tem a ver com um sistema monetário imperfeito, que leva a choques de moeda, a fluxo de capitais imperfeitos e que obriga países a terem que controlar capitais."

A definição dos indicadores de desequilíbrio, uma das prioridades da presidência francesa do G20, vinha dividindo o grupo. Esses indicadores devem servir de base para que se estabeleçam recomendações de política econômica aos países que apresentarem fortes desajustes, como excedentes ou deficit excessivos.

Depois de uma noite inteira de negociações, foi retida uma série de três indicadores: dívida pública e deficit fiscal, poupança e dívida privada, para medir os desequilíbrios internos. Com relação aos critérios externos, os ministros incluíram o saldo do balanço de conta-corrente, que vai "levar em conta o câmbio e as políticas fiscais e monetária".

A fórmula indireta, que deixa esses últimos pontos em aberto para discussões futuras, foi a manobra encontrada pela presidência francesa do G20 para contornar os pontos de divergência com China.

Acusados regularmente de manter sua moeda artificialmente desvalorizada para incentivar as exportações do país, os chineses se opunham à inclusão do câmbio na lista dos indicadores de desequilíbrio.

A China e os outros países dos Brics, ou seja, Brasil, Rússia, Índia e África do Sul, também se opunham à inclusão do saldo do balança de conta-corrente, que acabou fazendo parte do acordo final.

Em compensação, os Brics conseguiram derrubar o uso das reservas internacionais como critérios de disparidade. Os emergentes, que detém 75% das reservas cambiais mundiais, temiam que a inclusão desse parâmetro abrisse espaço para que o FMI (Fundo Monetário Internacional) estabelecesse limites para as reservas.

Outra posição defendida pelos Brics e contemplada no acordo foi o caráter não compulsório dos indicadores de desequilíbrios que não obrigam os países a cumprir metas de ajustes. "A presença desses indicadores não quer dizer nada porque não tem nenhuma consequência", minimizou Mantega.

COMMODITIES

O ministro da Fazenda, que cancelou a entrevista coletiva prevista para depois da reunião ministerial do G20, acabou falando a um pequeno grupo de jornalistas no hall do hotel onde estava hospedado.

Ele disse que o Brasil também estava satisfeito com as discussões sobre commodities no âmbito do G20 e indicou que a França reiterou ao governo brasileiro que não pretende regular preços de alimentos, como havia sugerido recentemente o presidente francês, Nicolas Sarkozy.

"O Brasil se opunha a algum tipo de controle de preço, de controle de estoque ou coisa parecida. Isso não veio. A França esclareceu que não tinha essa intenção", afirmou.

Mantega também voltou a apontar, em Paris, os riscos de que "políticas monetárias imperfeitas" levem a uma guerra cambial. Também explicou que houve consenso no G20 sobre a necessidade de reforma do sistema monetário internacional.

 

FOLHA.COM

 

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