Por pbagora.com.br

Candidato assume poder sem plano de governo consistente, constrói obra superfaturada e inútil, se envolve em escândalos e… tudo termina em pizza. Esses fatos poderiam ser manchete do noticiário político, mas viram motivo de risos em “O bem amado”, adaptação de texto teatral de Dias Gomes que estreia nos cinemas nesta sexta-feira (23).

Dirigido por Guel Arraes, o longa ressuscita o prefeito Odorico Paraguaçu, personagem-ícone da dramaturgia brasileira e um dos pioneiros na sátira à política nacional. Paraguaçu volta à cena na pele do ator Marco Nanini, que surge de cabelo acaju e com repertório recheado de falas hilárias – em atuação que foi de Paulo Gracindo na TV nos anos 1970, na primeira novela em cores da televisão brasileira.

Em conversa com jornalistas em um hotel de São Paulo nesta semana, o ator garantiu que não se inspirou em nenhum político brasileiro para interpretar o papel. “Não foquei exatamente em alguém porque seria difícil. Poucos têm o carisma do Odorico. Ele é um cara muito simpático, um sedutor”, explica, elogiando o charme do personagem. “Mas pesquisei muita gente e vi muita coisa por curiosidade, para deixar um banco de possibilidades na minha cabeça quando fosse interpretá-lo.”

Na trama, Paraguaçu é a autoridade maior na pequena Sucupira e vê sua gestão ameaçada ao construir um cemitério de serventia nula, já que ninguém morre na cidade. Para solucionar o “problema de utilização” da obra, o prefeito resolve contratar o matador Zeca Diabo. O forasteiro chega ao local para tornar-se mais um elemento na polêmica gestão do político, que tem contra si o dono do jornal local e, a favor, um trio de fiéis e ousadas correligionárias.

Ao lado de Nanini no elenco estão, entre outros, José Wilker (em atuação marcante na pele do matador Zeca Diabo; vivido por Lima Duarte no folhetim homônimo), Matheus Nachtergaele (que vive o bajulador Dirceu Borboleta) e Andréa Beltrão (como a romântica Dulcineia Cajazeira, partidária do político – a atriz completa o trio das Irmãs Cajazeiras, com Zezé Polessa e Drica Moraes).

 

Ano eleitoral não motivou lançamento
Apesar da pesquisa feita para viver o político na tela grande, Nanini conta que já tinha grande familiaridade com o universo de Odorico. “Ter encenado ‘O bem amado’ no teatro em 2008 serviu para ganhar mais intimidade com o personagem. Porém, no cinema, diria que ele vem mais suave, já que é naturalmente um canastrão.”

Já Arraes, que dirigiu Nanini na montagem teatral, revela alimentar a ideia de levar o texto ao cinema há tempos. “Gosto muito de comédia. E por vir de uma família de políticos estou próximo desse universo também. Então, achei que seria interessante fazer uma comédia da política. Comprei os direitos de ‘O bem amado’ logo depois de filmar ‘Lisbela e o prisioneiro’ e recentemente percebi que era hora de retomar a ideia”, conta o cineasta, filho do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes, que acredita que a política é um assunto cada vez mais próximo do brasileiro.

“As pessoas estão cada vez mais interessadas no assunto. Quando elas falam que não serve para nada, na verdade percebo que estão demonstrando um interesse, uma vontade de melhorar a coisa. Juntando isso pensei que talvez estivesse na hora de rir dos políticos. Já se falou mal deles, já se falou seriamente, mas nunca se riu de verdade. E eu fiz uma comédia elaborada. Uma charge política completa”, explica.

 

Mas o forte viés político da história não tem ligação com o fato de o filme estar sendo lançado em um ano eleitoral. O ator José Wilker conta que os planos iniciais eram de lançar “O bem amado” na virada de 2009 para 2010. “Era um filme de verão e já estava pronto na época, mas teve de aguardar um tempo para chegar aos cinemas. A produção nacional sofre muito com a enxurrada de produções norte-americanas que lotam as salas. O fato de ser ano eleitoral não muda nada, mas se isso vier a ser um fator que gere debate sobre o filme, acho ótimo.”

Filme foi aclamado em festival no NE
Apesar de estrear em grande circuito somente nesta sexta, “O bem amado” já teve uma boa resposta do público em sessões especiais. Exibido no Cine PE Festival do Audiovisual, em Olinda, em abril, levou ao riso as 2.500 pessoas que lotaram o Teatro Guararapes e aplaudiram efusivamente as reviravoltas – e trapalhadas – do cenário político da emblemática Sucupira.

G1

 

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