O TIM Festival, o maior festival de música pop da América do Sul, foi desativado pelo seu patrocinador, a operadora de telefonia móvel TIM. Também foi cancelado o Prêmio TIM de Música, que teve seis versões no Rio de Janeiro. É até agora o maior reflexo da crise econômica no mundo do show biz brasileiro, que parecia imune à turbulência.
 

Consultada pelo Estado, a assessoria de Imprensa da TIM Brasil divulgou ontem à tarde a seguinte nota oficial: “Confirmamos que a TIM está em negociações com a Dueto para descontinuar o TIM Festival. As partes comentarão o assunto somente após a conclusão das negociações. A partir deste ano estamos descontinuando a realização do Prêmio TIM de Música. Os recursos até então destinados ao projeto serão utilizados em outras alternativas de comunicação para a marca da empresa. A TIM agradece ao produtor e parceiro José Mauricio Machline (produtor do Prêmio TIM) pelo profissionalismo dedicado às seis edições do evento.”

 

A organização do festival foi pega de surpresa pela notícia. “A gente ainda tinha esperanças”, disse ontem Monique Gardenberg, dona da Dueto Produções, produtora do festival. Monique ainda esperava convencer a empresa a reconsiderar. Ela acredita que não há mais tempo hábil para realizar o festival com um outro parceiro, mudando de nome. O festival costuma ser realizado em finais de outubro.

 

 

A TIM Brasil confirmou a manutenção do patrocínio ao Auditório Ibirapuera, em São Paulo. A empresa ajudou na construção da sala, com R$ 25 milhões. A decisão da TIM causou apreensão no setor, que possui muitos eventos e casas de shows batizados com nomes de patrocinadores – caso do Citibank Hall, o HSBC Hall, Credicard Hall, entre outros.

 

O cancelamento do TIM Festival, cuja edição anual tinha um custo estimado em cerca de R$ 4 milhões, traz sobretudo um grande prejuízo à diversificada agenda cultural de São Paulo e Rio (o evento também tinha edições menores em Vitória e Curitiba). Em 2007, mobilizou cerca de 70 mil espectadores. Além de estimular o turismo cultural, criava empregos, espalhava tendências e já integrava o calendário de festivais do gênero no mundo – chegou a ser considerado um dos três melhores em seu setor.

 

Maior mostra de música internacional do País, o festival começou em 1985 como uma versão tropical do Cool Jazz Festival americano. Foi criado pelas irmãs Monique e Sylvia Gardenberg (Sylvia morreu em 1998, e Monique levou o festival adiante).

 

Abrigado pela companhia de cigarros Souza Cruz, tornou-se um ano depois, em 1986, o Free Jazz Festival, realizado durante 18 anos, e que trouxe ao País artistas como Sonny Rollins, Max Roach, Sarah Vaughan, Art Blakey, Wayne Shorter, Brian Wilson, Little Richard, John Zorn, Philip Glass, Kraftwerk, Björk, Patti Smith, Strokes.

 

A partir do final dos anos 1990, o festival buscou incluir em sua programação a música eletrônica e correntes híbridas como o acid jazz e o trip-hop. Com a proibição da propaganda de cigarros em eventos públicos, o festival mudou de patrocinador, tornando-se TIM Festival. O “padrinho” da parceria era o publicitário Mario Cohen, que hoje é diretor do Auditório Ibirapuera.

 

CRISE

 

Os reflexos da crise financeira internacional já se fazem sentir também nos setores mais sólidos do show biz. A cantora Ivete Sangalo, por exemplo, prodígio empresarial da axé music, informou no mês passado que achou “por bem” adiar em cerca de quatro meses a gravação de seu novo DVD ao vivo, que seria no Madison Square Garden, em Nova York.

 

“Seria em novembro deste ano. Não será mais, não por conta da nossa situação, mas pela situação dos Estados Unidos”, contou, em uma coletiva de imprensa em Salvador, durante o Festival de Verão.

Por outro lado, a agenda internacional continua aquecida, pelo menos nesse primeiro semestre no Brasil. Estão de passagem marcada para o País os grupos Iron Maiden, Kiss, Keane, Kraftwerk, Radiohead, Motorhead; os cantores Julio Iglesias, Liza Minelli, Burt Bacharach; os músicos Ornette Coleman e John Hammond; entre outros.

 

estadao.com.br

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