O Galo da Madrugada tomou conta das ruas centrais do Recife neste sábado, 21, reforçando o seu título de maior agremiação carnavalesca do mundo, agora também detentor do título de patrimônio cultural e imaterial de Pernambuco, carnaval que tem na ministra Dilma Rousseff sua maior garota-propaganda. “A pessoa aqui brinca, não olha”, disse, do camarote Governo do Estado. Desde as sete horas a folia e a irreverência dominaram a concentração do Galo, no Forte das Cinco Pontas.

 

A criatividade era a característica dos foliões que se esbaldavam, sejam em fantasias ricas – como os que participaram do carro abre-alas – ou em personagens que já viraram característica do carnaval. “Zé Bonitinho”, ou Adélson Reis, advogado, 40 anos, brincou pela vigésima vez no Galo, e chegou com seu “galito cantante” (um galo de plástico que canta) debaixo do braço, “para fazer a alegria das mulheres”. Gente de vários Estados do Brasil que adoram o carnaval local se juntaram mais uma vez, em grupos como o de “São Jorge”, que uniu 40 pessoas do Rio, Minas, São Paulo, Espírito Santo e Pernambuco.

Trinta e cinco trios elétricos e três carros alegóricos animaram a multidão, levando orquestras de frevo, artistas e bandas como Quinteto Violado e Nação Zumbi. Numa festa que se orgulha de ser democrática, também houve espaço para as bandas bregas Calypso e Saia Rodada que se comprometeram a tocar frevo, mesmo que no seu ritmo.

 

Neste ano, perto de quatro mil homens das polícias militar, civil, bombeiros e batalhão de choque fizeram a segurança da festa, que só deveria terminar no final do dia. O desfile deste ano homenageou o seu fundador, Enéas Freire, que morreu ano passado, aos 86 anos. Uma foto de quatro metros quadrados de Enéas ilustrava a parte traseira do carro abre-alas.

 

O Galo já produziu vários filhotes, especialmente depois que cresceu ao ponto de atrair 1,5 milhão de pessoas. Ao nascer, ele saía às cinco horas da manhã com o objetivo de revigorar o carnaval de rua da cidade. Hoje quem faz isso é o Pinto do Galo da Madrugada, que fez ontem seu vigésimo-primeiro desfile, sempre em um percurso inverso ao do Galo.

 

Quando eles se encontraram, por volta das nove horas, o Pinto se dissolveu. Liderado por Pedro Bezerra, a agremiação tem como inspirador o poeta pernambucano Ascenso ferreira e durante o percurso, eles fazem várias paradas para declamar suas poesias. Neste ano, o tema era o erotismo e a brincadeira provocou gargalhadas em quem participou ou viu a farra da agremiação.

 

Estadão

Total
0
Compartilhamentos
Deixe seu Comentário
Notícias relacionadas

Filme A Vida Invisível é o representante brasileiro no Oscar 2020

A indicação do filme A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, dirigido por Karim Aïnouz, como candidato brasileiro ao Prêmio de Longa-metragem Internacional da 92ª Premiação Anual promovida pela Academy of Motion…