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Da Paraíba ao Nepal, o papel de Antonio Dias é apresentado na Galeria Nara Roesle

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 No fim dos anos 1970, quando morava em Milão, na Itália, o artista paraibano Antonio Dias foi apresentado a um papel artesanal que lhe chamou a atenção. Era produzido no Nepal, e ele não hesitou em seguir para o país asiático, pensando em fazer uma edição de gravuras com o produto. Mas não se configurava algo tão simples assim. Não havia nenhum local onde pudesse comprar quantidade, e ele, vindo de uma fase de sua trajetória fortemente conceitual, foi seduzido pela técnica artesanal, acabando por se envolver na produção junto aos artesãos locais. O que seria uma viagem curta se estendeu por cinco meses. A quantidade razoável para uma edição de gravuras se transformou em 600 quilos de papel, utilizados nos dez anos seguintes para outros trabalhos.
Envolvimento na produção

É uma parte pequena dessa produção — 12 pinturas e colagens — que Antonio Dias exibe nesta quinta, para convidados, e a partir de sexta para o público na Galeria Nara Roesler, em Ipanema. A exposição “Papéis do Nepal 1977 — 1986” mostra obras de uma série pouco vista no Brasil. E entende-se, ao vê-las, por que o papel atraiu o artista. A artesania implicada em sua produção, o fato de envolver a participação direta, uma maestria específica, foi segundo ele, um fator determinante.

“Há dois anos eu procurava o material para fazer um trabalho que havia imaginado (o álbum “Trama”, com dez xilogravuras, de 1977) Foi ali que vi a possibilidade de fazer existir aquela obra, que pedia bordos irregulares. Dali, parti para a realização de outros trabalhos, sempre procurando mostrar aos artesãos um modo diferente de encarar o papel”, conta ele.

Esse fazer em conjunto subverteu, desde a sua gênese, a questão da autoria, um tema caro ao artista. As obras na Nara Roesler ilustram isso. As cores foram obtidas com a adição, durante o processo de fabricação, de elementos locais como chá, terra, cinzas e curry. E, sobre as folhas, Antonio Dias pintou vermelho, sua cor-assinatura, grafite, óxido de ferro, colagem, numa geometria insinuada pelas tramas das folhas. Ou seja, mais do que obras sobre papel, são obras que se iniciaram pelo papel.

Em 2013, quando uma série de aquarelas com o mesmo material, foi exibida na galeria Mul.ti.plo, na exposição “Para onde vai a libido?”, o historiador, professor e curador de arte Paulo Sergio Duarte escreveu um texto em que dizia que o papel, na obra de Antonio Dias, “não tem nada a ver com suporte”, já que na Europa, onde residia, não faltavam papéis de alta qualidade. “A busca tinha a ver com uma reviravolta existencial com equivalente virada na linguagem da obra”, escreveu.

Depois de se dedicar aos papéis por dez anos, Antonio Dias voltou-se novamente para a pintura sobre telas. Mas parte (pequena, agora) dos 600 quilos comprados há quase quatro décadas ainda se mantém intacta, em seu apartamento de Copacabana, à espera de nova investida do artista.

Redação

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