O Casarão dos Azulejos inicia mais um projeto, nesta quinta-feira (24). Intitulado ‘Gente é pra brilhar’, a ação visa resgatar histórias e formas de expressões existentes nas comunidades urbanas e rurais da Paraíba. O nome da ação tem inspiração no verso de Caetano Veloso, que extraiu de um conhecido poema do escritor Vladmir Maiakovski o verso que diz que “gente é pra brilhar, não pra morrer de fome”.

O primeiro nome que vem contar sua história é a artesã Ely Cardoso, residente do Bairro Alto do Mateus, em João Pessoa. Pessoense, mãe de um casal de jovens e casada com Antônio (que ela chama de Guri), Ely nasceu e cresceu às margens do rio Timbó e de lá arrancou seus primeiros ensinamentos para caminhar pelo mundo. Ouvia muito o avô, e dele traz doces memórias e grandes lições. Da infância carrega boas lembranças, mas também as durezas que a própria vida se encarrega de traduzir através do tempo.

Aos 14 anos, Ely começou suas primeiras experiências com o artesanato, especialmente no crochê. De lá para cá, desenvolveu uma habilidade que impressiona. Aproveitando sobras, constrói peças de todo tipo e de extrema beleza. No entanto, o que será destaque na abertura do projeto são as reproduções em acrílico sobre tela que Ely realiza de forma permanente. A artesã possui um invejável talento para recriar palhaços e imagens sacras – estas últimas ficarão expostas no Casarão dos Azulejos entre os dias 24 de outubro e 5 de novembro.

A história de Ely está diretamente ligada a um drama pessoal. Em 2006, desenvolveu um tumor chamado adenoma de hipófase. Com o crescimento do tumor perdeu parte do campo visual, mas decidiu resistir. Foi aposentada por invalidez, mas não recuou. Sem entregar os pontos, buscou num curso de arte com o professor Leonardo Pessoa, o contato com a pintura. Tendo como referência a arte de Leonardo da Vinci e Monet, desde então Ely Cardoso pinta e vende suas reproduções em acrílico sobre tela. Esta será a sua primeira exposição.

Para a turismóloga Luiza Botelho, “Ely é um exemplo de dignidade e resistência. Encarou as injustiças, as agruras da vida. Transformou-se numa pessoa determinada. Alegre e afetuosa, apesar de ter sido obrigada a interromper alguns sonhos como o de se tornar pedagoga pela UFPB”.

Casarão dos Azulejos – O Casarão dos Azulejos é um prédio histórico, localizado no centro da capital paraibana. Construído ainda no século XIX, teve sua última reforma no ano de 2017, quando o prédio foi entregue pelo IPHAEP. Já serviu de residência para o comendador Antônio dos Santos Coelho e também já foi sede da Secretaria de Cultura do Estado.
Atualmente, o prédio, que é tombado, abriga um dos polos do Programa de Inclusão Através da Música e das Artes (Prima), gerido pelo Governo do Estado da Paraíba, e que promove diversas ações culturais e formativas no local.

Assessoria

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