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Arnaldo Antunes traz o seu Ao vivo pela primeira vez à João Pessoa

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Ocantor, compositor e escritor Arnaldo Antunes está de volta a João Pessoa, onde apresenta, hoje, às 21h30, na Praça de Eventos do Mag Shopping, o show Ao vivo no estúdio, inspirado no DVD lançado recentemente, com título homônimo. É coisa boa de ver e ouvir. O artista lembrará dos antigos sucessos de sua ex-banda (Titãs), cantará as doces canções feitas em companhia de os “tribalistas” (Marisa Monte e Carlinhos Brown) e mostrará os novos trabalhos que trouxe na bagagem.
 

“Espero que quem veja e ouça se divirta tanto quanto nós, ao gravá-lo”. A recomendação de Antunes, expressou no texto de divulgação de Ao vivo no estúdio, assinado por ele, com certeza valerá, também, para o show de hoje. Antunes não só é um cantor de voz singular, como um compositor cuja criatividade já é reconhecida em territórios internacionais. Não bastasse isso, é uma figura de fino trato; amável e sempre disponível ao bom diálogo, furta-se apenas quando a agenda anda mais que apertada.

Diz Antunes, no texto citado, que a idéia de Ao vivo no estúdio surgiu durante a concepção do disco Qualquer, em 2006, pois já naquele tempo pensava em registrá-lo em um show, em DVD. O projeto não pode ser concretizado e, em setembro do ano passado, era lançado o CD, seguido, um mês depois, da estreia do show de lançamento. Segundo ele, a adaptação dos arranjos do disco e a formação do trio composto por Chico Salem (violões de aço e nylon), Betão Aguiar (guitarra e violão de nylon) e Marcelo Jeneci (teclados e sanfona), tornou possível recriar a atmosfera de Qualquer.

Antunes explicou que as músicas tocadas e cantadas ao vivo traziam algumas novidades de timbres e levadas, destacando-se a presença da sanfona e dos teclados elétricos, em lugar do piano. Ele lembra que a sonoridade foi ficando mais coesa, com os diálogos entre os instrumentos tecendo uma feição própria, de banda, o que o estimulava ainda mais a querer gravar o show em DVD. “Além das músicas do Qualquer, rearranjamos várias outras de meu repertório, trazendo-as para esse contexto sonoro mais intimista, sem bateria ou percussão”, completa.

Ele esclarece ainda que algumas músicas do CD tiveram o tom modificado, aproximando-se de uma forma de interpretação menos gritada, mais grave, na região mais natural de sua voz. Foi assim, entre outras, com “Silêncio”, “Saiba”, “Pedido de casamento”, “Se tudo pode acontecer” e “Fim do dia”. Foram feitas releituras de “Não vou me adaptar” e “O pulso” (da época dos Titãs), e versões de “Bandeira branca” (Max Nunes e Laércio Alves), que ele havia gravado para a trilha sonora do filme Gêmeas, de Andrucha Waddington, e de “Qualquer Coisa” (Caetano Veloso).

Espetáculo tem direção de Tadeu Jungler

“Nunca tive tanto prazer em cantar como nesse show”, confessa Antunes, ressaltando que a sonoridade se adequou muito bem à intenção que ele queria imprimir no canto, tornando-o mais sereno de modo a poder saborear cada sílaba. “O resultado parece evidenciar as próprias canções (e a compreensão mais clara das letras), sem perder uma vibração, inevitável para mim, na atitude como sou levado a me comportar. Herança do rock”, salientou.
 

Depois de rodar com o show Qualquer por várias cidades do Brasil, Antunes concluiu que finalmente está pronto para registrá-lo em um DVD. “Para nós era perfeito, pois tivemos tempo de ir aprimorando os arranjos, experimentando mudanças no roteiro, azeitando a máquina. Mas não queria fazer apenas mais um registro de turnê. Achava que essa era uma oportunidade de criar algo especial para a linguagem do vídeo. Aí pensamos em voltar para o estúdio e, invertendo a maneira como havíamos feito o disco (no estúdio mas ao vivo) propusemos gravar um show, com público, mas no estúdio”, relata.

O compositor lembra que gravou para uma pequena platéia de cinquenta pessoas, sentadas no chão, “O show já tinha um vídeo, criado por Márcia Xavier e Doca Corbett, todo em preto e branco, que funcionava como um cenário em movimento, e os figurinos, criados por Marcelo Sommer, eram todos em diferentes tons de cinza. Como já tínhamos nos apegado a esse ambiente, muito adequado para o som que vínhamos fazendo, pensamos em produzir o DVD todo em preto e branco”. A direção é de Tadeu Jungle, com cenário de Marieta Ferber.

O artista, pelo fato de ser o seu primeiro DVD (e CD) gravado ao vivo, caprichou no sentido de elevar Ao vivo no estúdio à categoria de “mais representativo de sua carreira”. Agora, traz de volta ao palco toda essa experiência, que o público paraibano poderá conferir no show de hoje à noite no Mag Shopping, após a performance da banda Travolta.
 

O Norte

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